Neste domingo (23), após a missa com os novos cardeais e os demais membros do Colégio Cardinalício, na Basílica de São Pedro, o Papa Francisco rezou, como de costume, a oração mariana do Angelus. Junto a todos os peregrinos que lotavam a Praça de São Pedro nesta ocasião especial, o papa fez um pedido pela unidade da Igreja e a oração dos fiéis pelos novos cardeais e por seu pontificado.
“Podemos saudar todos os novos cardeais, com um aplauso. Saudemos todos! O consistório de ontem e a celebração eucarística de hoje nos ofereceram uma ocasião preciosa para experimentar a catolicidade, a universalidade da Igreja, bem representada pela variada proveniência dos membros do Colégio Cardinalício, recebidos em estreita comunhão em torno do Sucessor de Pedro. Que o Senhor nos dê a graça de trabalhar pela unidade da Igreja, de construir esta unidade, porque a unidade é mais importante que os conflitos! A unidade da Igreja é de Cristo, os conflitos são problemas que não são sempre de Cristo”, disse o Papa.

Refletindo sobre a liturgia dominical, o Pontífice destacou a afirmação de Paulo: “Ninguém ponha sua glória em homem algum. Com efeito, tudo vos pertence: Paulo, Apolo, Cefas [isso é, Pedro], o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro; tudo é vosso, mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus”, citando 1 Cor 3, 23.
“Por que o Apóstolo diz isso?”, indagou o Papa. “Porque o problema ao qual o Apóstolo se encontra diante é aquele das divisões na comunidade de Corinto, onde se havia formado grupos que se referiam aos vários pregadores considerando-os seus chefes; diziam: ‘Eu sou de Paulo, eu sou de Apolo, eu sou de Cefa…’. São Paulo explica que este modo de pensar é errado, porque a comunidade não pertence aos apóstolos, mas são eles – os apóstolos – que pertencem à comunidade; porém, a comunidade, inteira, pertence a Cristo!”, completou.
Dessa pertença que formaram-se as comunidades cristãs, hoje compreendidas como dioceses, paróquias, associações e movimentos, explicou Francisco.
A partir dessa relação, o Papa disse que “as diferenças não podem contradizer o fato de que todos, pelo Batismo, temos a mesma dignidade: todos, em Jesus Cristo, somos filhos de Deus”.

Com essa afirmação, o Pontífice advertiu que no serviço à comunidade os ministros não devem se sentir como “patrões” .
“Aqueles que receberam um ministério de guia, de pregação, de administrar os Sacramentos não devem se considerar proprietários de poderes especiais, patrões, mas se colocar a serviço da comunidade, ajudando-a a percorrer com alegria o caminho da santidade”, assinalou.
Dirigindo sua fala sobre os novos cardeais, criados ontem no Consistório Ordinário Público, o Papa disse que a Igreja confia o testemunho desse “estilo de vida” aos novos membros do Colégio Cardinalício.
“A Igreja hoje confia o testemunho desse estilo de vida pastoral aos novos cardeais, com os quais celebrei esta manhã a Santa Missa”, enfatizou.
Ainda a respeito desses momentos que a Igreja vivenciou nestes dias, o Papa anseia que eles possam ser estímulo para “a fé, o amor por Cristo e pela sua Igreja”.
“Rezem por nós, para que sejamos bons servidores: bons servidores, não bons patrões! Todos juntos, bispos, presbíteros, pessoas consagradas e fiéis leigos devemos oferecer o testemunho de uma Igreja fiel a Cristo, animada pelo desejo de servir os irmãos e pronta a ir ao encontro com coragem profética às expectativas e exigências espirituais dos homens e mulheres do nosso tempo. Nossa Senhora nos acompanhe e nos proteja neste caminho”, foi a oração do Papa no final do Angelus deste domingo.
Ao final, o Santo Padre agradeceu a presença das diversas delegações oficiais que vieram a Roma para acompanhar a cerimônia do Consistório e disse fraternalmente: “Bom domingo e bom apetite!”.
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