Por Redação A12 Em Santo Padre

Papa: ‘A nossa vida é um hoje que não se repetirá’

O Papa Francisco presidiu nesta quinta-feira (12), a missa matutina na Casa Santa Marta. O Pontífice exortou os fiéis a não ter o coração endurecido, sem fé, mas aberto ao Senhor. ‘A nossa vida é um hoje que não se repetirá’.

Foto de: Rádio Vaticano

Papa Francisco na Casa de Santa Marta

"Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais
os vossos corações”, pede o Papa.

“Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações”. A homilia de Francisco foi inspirada na primeira leitura, extraída da Carta aos Hebreus, e se desenvolveu em torno de duas palavras: ‘hoje’ e ‘coração’.

O ‘hoje’ do qual fala o Espírito Santo é ‘a nossa vida’, um hoje ‘repleto de dias’, mas ‘depois do qual não haverá um replay, um amanhã’, ‘um hoje no qual recebemos o amor de Deus’, a promessa de Deus de encontrá-lo’, ‘um hoje’ no qual podemos renovar ‘a nossa aliança com a fidelidade de Deus’, explicou o Papa.

Porém, há somente um só hoje na nossa vida e a tentação é de dizer: “Sim, farei amanhã”. A tentação do amanhã que não haverá”, como o próprio Jesus explica nas parábolas das dez virgens: as cinco tolas não levaram o óleo e as lâmpadas, e quando foram comprar, encontraram a porta fechada. Francisco fez referência também à parábola daquele que bate à porta pedindo ao Senhor: “Comi contigo, estive contigo …”.  “Não te conheço: chegastes tarde …”.

“Eu digo isso não para assustar, mas simplesmente para dizer que a nossa vida é um hoje: hoje ou nunca. Eu penso nisto. O amanhã será o amanhã eterno, sem anoitecer, com o Senhor, para sempre. Se eu sou fiel a este hoje. E a pergunta que lhes faço é esta que faz o Espírito Santo: ‘Como eu vivo este hoje?’”.

A segunda palavra que é repetida na Leitura é “coração”. Com o coração, de fato, “encontramos o Senhor” e muitas vezes Jesus repreende, dizendo: “tardos de coração”, tardos no compreender. Portanto, o convite é para não induzir o coração e a questionar-se se não seja “sem fé” ou “seduzido pelo pecado””:

 

"O nosso coração é aberto ao Senhor?"

“No nosso coração se joga o hoje. O nosso coração é aberto ao Senhor? Sempre me impressiona quando encontro uma pessoa idosa – muitas vezes sacerdotes ou freirinhas – que me dizem: ‘Padre, reze pela minha perseverança final’ – ‘Mas viveu bem toda a vida, todos os dias do seu hoje foram no serviço do Senhor, mas tem medo …?’ – ‘Não, não: a minha vida ainda não findou: eu gostaria de vivê-la plenamente, rezar para que o hoje chegue pleno, pleno, com o coração firme na fé, e não destruído pelo pecado, pelos vícios, pela corrupção…”.

Portanto, o Papa exorta a interrogar-nos sobre o nosso ‘hoje’ e sobre o nosso coração. O ‘hoje’ é repleto de dias, mas não se repetirá. Os dias se repetem até quando o Senhor dirá “chega”.

Mas o ‘hoje’ não se repete: é esta a vida. O coração é aberto ao Senhor, não fechado, não endurecido, não sem fé, não perverso, não seduzido pelo pecado. O Senhor encontrou tantas pessoas que tinham o coração fechado: os doutores da Lei, todos os que o perseguiam, que o colocavam à prova para condená-lo... até que conseguiram. Voltemos para as nossas casas somente com estas duas perguntas: como está o meu “hoje”? O ocaso pode ser hoje mesmo, neste mesmo dia ou em tantos outros. Mas, como está o meu “hoje” na presença do Senhor? O meu coração, como está? Está aberto? Está firme na fé? Ele se deixa conduzir pelo amor do Senhor? Com estas duas perguntas peçamos ao Senhor a graça da qual cada um de nós necessita.

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