O Papa Francisco beatificou neste sábado (16) o mártir Paulo Yun Ji-chung e seus 123 companheiros, mortos durante a perseguição contra os cristãos entre 1791 e 1888. A celebração ocorreu em Seul, perante aproximadamente 1 milhão de pessoas. Concelebraram com o Santo Padre o Arcebispo de Seul, Cardeal Yeom Soo-jeong, e o Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin.

As cerimônias de beatificação são habitualmente celebradas por um legado pontifício, desde o pontificado de Bento XVI e, Francisco decidiu homenagear assim a primeira geração de católicos coreanos.
“Os mártires ensinam-nos o caminho”, disse o Papa Francisco na homilia, em que destacou que seu legado contribuirá para promover a paz e os valores humanos na Coreia do Sul e no resto do mundo. O Santo Padre destacou ainda o caráter leigo dos primeiros católicos da Coreia, onde, diferentemente de outros países da Ásia o Evangelho não foi introduzido pelos missionários.
“Além disso, o exemplo dos mártires ensina-nos a importância da caridade na vida de fé. Foi a pureza do seu testemunho de Cristo, manifestada na aceitação da igual dignidade de todos os batizados, que os levou a uma forma de vida fraterna que desafiava as rígidas estruturas sociais do seu tempo. Foi a sua recusa de separar o duplo mandamento do amor a Deus e do amor ao próximo que os levou a tão grande solicitude pelas necessidades dos irmãos”, sublinhou.
Cerca de 400 familiares de vítimas do naufrágio do ferry-boat Sewol, que há semanas estão acampados em Gwanghwamun para protestar contra o governo e exigir uma investigação independente, estavam presentes da celebração. No seu trajeto, o Santo Padre parou por alguns momentos para conversar e abençoar algumas famílias.
No mesmo dia o Santo Padre visitou um centro de recuperação para pessoas com deficiência e encontrou cinco mil consagrados e consagradas. A tarde encontro-se com leigos coreanos. Nesse encontro, o Papa destacou que a Igreja na Coreia é "herdeira da fé de gerações de leigos que perseveraram no amor de Jesus Cristo e na comunhão com a Igreja, apesar da escassez de sacerdotes e a ameaça de graves perseguições".
No domingo o Papa chega ao penúltimo dia de visita à Coreia do Sul, e terá como principal compromisso a missa de encerramento da VI Jornada da Juventude Asiática, onde deve encontrar um número expressivo de jovens.
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