Por Redação A12 Em Santo Padre Atualizada em 06 MAR 2020 - 11H14

Papa deve lançar encíclica sobre ecologia até julho

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O Papa Francisco revelou nesta quinta-feira, 15, que a sua próxima encíclica, sobre a ecologia, deve ser publicada entre junho e julho, ainda a tempo de pressionar a comunidade internacional para decisões corajosas na Conferência do Clima 2015, em Paris.

“A última conferência, no Peru [dezembro de 2014], desiludiu-me, esperemos que em Paris sejam um pouco mais corajosos. Penso que o diálogo entre religiões é importante, também neste ponto, e que estamos de acordo num sentimento comum”, disse aos jornalistas, durante a viagem que o levou do Sri Lanka às Filipinas.

Até dezembro, em Paris, serão realizados diversos eventos destinados a definir um novo acordo climático global pós-2020, centrado na redução de emissões para limitar o aumento médio de temperatura em 2º. Esse novo acordo deve substituir o Protocolo de Kyoto, de 1997.

“Em grande parte, é o ser humano, que dá chapadas à natureza, quem tem responsabilidade nas alerações climáticas. De certa forma, tornamo-nos donos da natureza, da mãe terra”, alertou o Papa, para quem “o homem foi longe demais”.

Francisco disse que vai dedicar uma semana de trabalho, em março, à conclusão da encíclica, o grau máximo das cartas que um Papa escreve.

O primeiro esboço foi preparado pelo presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, cardeal Peter Turkson, com a sua equipe, e neste momento está concluído um “terceiro esboço”.

“Enviei o texto à Congregação para a Doutrina da Fé, à Secretaria de Estado e ao teólogo da Casa Pontifícia para que o estudem e eu não diga asneiras”, brincou o Papa, a respeito do processo de revisão destes documentos.

Francisco sublinhou que hoje há muitas vozes que falam das questões ambientais, elogiando o papel desempenhado pelo patriarca Bartolomeu I, de Constantinopla (Igreja Ortodoxa).

As preocupações com as alterações climáticas vão ser particularmente visíveis este sábado, quando o Papa visitar Tacloban, conhecida como “zona zero” do tufão Hayan (conhecido localmente como Yolanda), formado por ventos que chegaram a atingir 315 quilômetros por hora, para almoçar com sobreviventes do desastre natural.

Além de ter causado milhares de mortos, o supertufão arrasou mais de um milhão de casas e deixou mais de quatro milhões de pessoas desalojadas.

Francisco afirmou que os pobres estão no centro da sua mensagem, nas Filipinas: “Os pobres que querem avançar; os pobres que sofreram com o tufão Yolanda e que ainda sofrem as suas consequências, os pobres que têm fé, esperança; povo de Deus, os pobres, os pobres explorados pelos que determinam tantas injustiças sociais, espirituais, existenciais”, finalizou. 

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