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Devoção de Santo Afonso a Nossa Senhora dos Sete Véus

A presença marcante de Santo Afonso em Foggia e sua experiência espiritual diante da Madona dos Sete Véus marcaram profundamente sua vida mariana

Escrito por Pe. José Inácio Medeiros, C.Ss.R.

23 OUT 2025 - 07H30 (Atualizada em 23 OUT 2025 - 11H22)

Roberto D'Agostino

Santo Afonso, como bem sabemos, era um grande devoto de Nossa Senhora, devoção que ele procurava expressar de várias formas.

Um dos aspectos mais curiosos dessa devoção está no seu relacionamento com Nossa Senhora (Madona) dos Sete Véus, que ainda hoje está profundamente enraizada na tradição religiosa e popular da região de Foggia, capital da Província de Puglia, localizada no sul da Itália.

Ao longo dos séculos, Nossa Senhora envolveu Santo Afonso e outras figuras religiosas de grande destaque.

Santo Afonso e Nossa Senhora dos Sete Véus

Santo Afonso Maria de Ligório (1696-1787), fundador da Congregação do Santíssimo Redentor, era um profundo devoto de Nossa Senhora e um grande promotor de sua veneração sob diversos títulos.

Durante sua vida e nas missões que pregava no Reino de Nápoles, também visitou Foggia, ficando impressionado com a devoção local a “Nossa Senhora (Madona) dos Sete Véus”, venerada a partir de um antigo ícone encontrado num pântano em 1062.

Segundo a tradição, Santo Afonso visitou a Catedral de Foggia, onde a imagem milagrosa é mantida hoje sob o altar-mor, e rezou em frente ao ícone que também é chamado de mesa sagrada.

Ele mesmo chegou a definir Foggia como "o centro do culto mariano no sul da Itália".

No dia 13 de agosto de 1062, em um pântano situado próximo a Foggia, foi encontrado um ícone de madeira representando a Madona dos Sete Véus.

Naquele tempo, mais ou menos metade do século XI, Foggia era uma pequena vila cercada por campos e ainda hoje é caracterizada pela agricultura de produção de alimentos, apesar de agora ter uma população de mais de 140 mil habitantes.

A cidade se desenvolveu em torno da famosa Taverna del Gufo (coruja), que ficava onde hoje existe a Igreja de São Tomás, a mais antiga de Foggia, que infelizmente está bem abandonada.

De acordo com a tradição, alguns pastores que levavam seus rebanhos para beber água no pântano e de repente viram como que chamas saindo da água.

Intrigados, ao se aproximarem, encontraram enterrado na lama do pântano um ícone em que a efígie de Nossa Senhora era envolta em sete véus.

Tratava-se da representação de uma imagem de Nossa Senhora Assunta ao Céu.

Os pastores recolheram, limparam o ícone e o levaram para a taberna da coruja (Gufo) que ficava bem próxima e logo, a partir daquele momento, se tornou o centro religioso da pequena vila de Foggia.

Em 1080, Roberto Guiscardo organizou a construção de uma igreja erguida próxima do local onde o ícone Sagrado foi entronizado.

A Igreja foi ampliada e embelezada ao longo dos séculos, apesar de a região ter mudado de mãos, passando pelos domínios dos normandos, dos suábios, dos angevinos, dos aragoneses, dos espanhóis e dos bourbons cuja dinastia controlou o Reino de Nápoles por muito tempo. A cidade foi bombardeada e sofreu muito na Segunda Guerra Mundial.

Santo Afonso ficou tão impressionado com a piedade popular e com a beleza do culto mariano de Foggia que incluiu a “Madona dos Sete Véus” em seus sermões e em seus escritos, embora de forma mais genérica, como um modelo da Madona Velada, um símbolo da pureza e do mistério divino.

Significado dos "Sete Véus"

Os Sete Véus que cobrem a imagem de Nossa Senhora possuem um simbolismo místico, podendo ser entendidos como os véus do mistério divino, os sete dons do Espírito Santo, as Sete Dores de Maria (segundo a tradição popular) ou mesmo uma antiga prática bizantina de velar os ícones sagrados para protegê-los da visão profana.

A imagem é sempre velada ou coberta e ainda hoje permanece escondida durante a maior parte do ano litúrgico, sendo revelada apenas por ocasião de celebrações particulares.

A Catedral de Foggia, também conhecida como Santuário de Nossa Senhora dos Sete Véus, ainda hoje é um dos lugares marianos mais visitados do sul da Itália.

Todos os anos, no dia 22 de março, celebra-se a Festa do Patrocínio de Nossa Senhora dos Sete Véus, durante a qual ocorre o "descerramento" da mesa sagrada.

Em Foggia existe também o mosteiro do Santíssimo Salvador das Irmãs Redentoristas e lá, na catedral Maria Assunta ao Céu, aconteceu a beatificação de sua fundadora Madre Maria Celeste Crostarosa em 18 de junho de 2016 pelo Cardeal Ângelo Amato, legado do Papa Francisco e Prefeito do Dicastério para a Causa dos Santos.

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Fonte: Instituto Histórico Redentorista

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