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Padre Costa: ministério enraizado na vida do povo

Conheça história desse redentorista que era descendente de um dos pescadores da imagem da Padroeira.

Escrito por Elisangela Cavalheiro

08 JUL 2021 - 06H00 (Atualizada em 25 JAN 2023 - 15H47)

Comissão Patrimônio Histórico Provincial

Padre José Augusto da Costa foi um Missionário Redentorista filho da terra da Padroeira do Brasil. Nascido no dia 08 de julho de 1921, ele foi um padre muito atento às necessidades e realidades do seu povo. 

Entre as histórias que queremos lembrar neste dia em que relembramos os 100 anos de seu nascimento, padre Inácio Medeiros, historiador e missionário redentorista, recorda duas: o tempo em que o padre recolhia cobras para o Instituto Butantan e sua vocação para construção.

Antes, um pouco de sua biografia

Primeiro de 12 filhos do casal Antônio Miguel da Costa e Emília Augusta da Costa, viveu em uma família de intensa piedade que ofereceu à Igreja a vocação de três irmãs religiosas, além da dele

Sua trajetória vocacional começou em 1933, quando ele tinha 12 anos, e entrou no seminário que existia em Pindamonhangaba, e foi em um dia especial, dia da festa de Santo Afonso Maria Ligório, 1º de agosto. Depois ele foi morar no Seminário Redentorista Santo Afonso, em Aparecida, voltou a Pindamonhangaba para fazer o noviciado no ano de 1940, e professou os votos religiosos na Congregação do Santíssimo Redentor no dia 2 de fevereiro de 1941. Continuou seus estudos no então Seminário Maior de Santa Teresinha, em Tietê, que era denominado Estudantado, e ali fez os estudos de Filosofia e Teologia. Foi ordenado sacerdote no dia 28 de julho de 1946por Dom Manuel da Silveira D´Elboux, bispo de Ribeirão Preto, na cidade de São João da Boa Vista (SP). 

Segundo pesquisa elaborada pela província de São Paulo no livro "Eles viveram conosco" que traz a biografia de missionários redentorista falecidos, encontramos essa pérola histórica: a de que padre Costa era um descendente de João Alves, um dos pescadores da imagem de Nossa Senhora Aparecida.  Mas hoje, não vamos aprofundar esse fato, queremos lembrar como foi o ministério desse missionário tão enraizado na vida do seu povo. 

Da vida missionária do Padre Costa teríamos muitas histórias para lembrar, afinal ele foi um redentorista que fez jus ao carisma herdado de seu fundador, tendo passagens por diversas casas no estado de São Paulo, depois em Goiânia e Minas Gerais. 

Tendo voz e pronúncia claras e pensamento lúcido, foi um pregador entusiasmado que sabia comunicar-se com os mais simples. Ele não hesitou, por exemplo, em ir à frente de fábricas da cidade de São Paulo para realizar um trabalho missionário voltado para os operários. 

Padre Inácio lembra que quando ele foi pároco na Igreja de Sacramento (MG), anos depois do ministério exercido pelo padre Costa, lá ouviu uma certa história que era contada por muitos dos paroquianos. Padre Costa tinha o costume de capturar cobras que encontrava na zona rural, nas capelas que visitava, para entregar ao Instituto Butantan. O fato curioso recorda uma atuação muito solidária ao povo daquela região, que sofriam constantes ataques das cobras. Padre Inácio recorda que além de entregar os répteis, o padre Costa recebia também o soro antiofídico produzido a partir do veneno para entregar na Santa Casa da cidade.  

Veja o relato do padre Inácio: 

"Uma região lá de Sacramento era muito infestada de cobras, sobretudo, cobras cascavel, e naquele tempo havia o costume de prender as cobras e mandar para o Instituto Butantan em São Paulo. O padre Costa foi um pároco muito presente na zona rural e ele trabalhou muito junto aos agricultores para que não matassem as cobras, mas que as prendessem. Quando ele visitava a zona rural eles as recolhia e mandava depois para o Instituto Butantan e em troca recebia o soro antiofídico que salvou a vida de muita gente naquela região. Então, esse é um fato da vida do Padre Costa que lembra essa preocupação não apenas de evangelizar através das pequenas missões que se faziam nas comunidades rurais, mas de cuidado com a vida das pessoas, com o ser humano integral. É uma recordação que eu tenho do padre Costa que as pessoas comentavam muito, já que e fui um dos sucessores na paróquia de Sacramento", recorda. 

Rádio Aparecida, Basílica da Penha, Província de Goiás e outras do Padre Costa 

Um outro fato que recorda o ministério do padre Costa foi sua vocação para a construção. Entre os anos de 1957 e 1961, ele foi pároco na que hoje conhecemos como Basílica de Nossa Senhora da Penha, em São Paulo. Coube a ele dar início à construção da atual basílica, e algo interessante é que o próprio padre Costa foi que ele mesmo idealizou a planta da igreja. 

Padre Inácio destaca que o padre Costa iniciou essa obra em 1957, que depois foi finalizada um ano antes dos redentoristas entregarem a igreja aos cuidados dos Padres Seculares, dez anos depois. 

"Foi o padre Costa que idealizou a planta do novo Santuário da Penha no bairro da Penha, em São Paulo. Naquele tempo, o bairro da Penha era distante do centro de São Paulo e os redentoristas da Província de São Paulo começaram a construir e cuidaram do santuário antes de ser concluída essa obra. Deixamos então esse legado, dessa planta idealizada por este missionário", destaca. 

Reprodução/Basílica da Penha
Reprodução/Basílica da Penha
Padre Costa na ocasião do lançamento da pedra fundamental no Santuário da Penha


Padre Costa foi ainda, vice-diretor da Rádio Aparecida em 1966 e 1967, depois passou a superior vice-provincial da então Vice-Província de Brasília (hoje, Província de Goiás) permanecendo com essa responsabilidade até janeiro de 1970. Os múltiplos lugares e os ofícios diferenciados que preencheram seus dias manifestam a tranquila generosidade e desprendimento de um confrade a todo tempo disponível e dotado de uma acolhedora segurança que o ajudou a enfrentar as tarefas novas que lhe propunham. 

Leia MaisPadre Noé Sotillo, um "gigante" na construção de Aparecida Pessoa de relacionamento pessoal fácil, nas comunidades era participante e comunicativo. Sempre se destacou como homem de longas caminhadas, escaladas de rochas e montanhas, ciclista de exercícios cotidianos, inclusive de viagens para lugares distantes. Até quando já bem idoso, quando a plena lucidez já não se fazia presente, padre Costa queria sair para suas caminhadas, devendo mais de uma vez ser trazido de volta pelas pessoas amigas. 

De 1993 em diante, enquanto teve saúde, trabalhou no Santuário Nacional de Aparecida. Nos últimos anos fez parte da comunidade do Seminário de São Geraldo, de Potim, passando para a comunidade do Santuário em Aparecida em 2003, para melhores cuidados médicos e de enfermagem. 

Padre Costa faleceu em Aparecida no dia 21 de janeiro de 2006, e ainda hoje, muitos recordam sua vida e ministério tão frutuoso.  



Fonte: Eles Viveram Conosco/Cripta Virtual

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