Por Elisangela Cavalheiro Em Redentoristas

“Ayuruoca nos Setecentos": Livro retrata primeira povoação colonial do Sul de Minas

“Ayuruoca nos Setecentos”A história da primeira povoação colonial do Sul de Minas Gerais foi retratada no livro "Ayuruoca nos Setecentos". A obra escrita pelo historiador José Mauro Maciel, religioso da Congregação do Santíssimo Redentor (CSSR), relata a história da cidade mineira Aiuruoca e foi lançada neste sábado (25) na Comunidade São José, em Aparecida (SP). 

Para a publicação, o autor pesquisou 123 documentos manuscritos dos anos de 1710 a 1800 e ainda 31 obras impressas do período de 1699 a 2009. 

Em entrevista concedida ao A12.com o historiador falou sobre a grande herança histórico-cultural aiuruocana, com destaque para a presença dos bandeirantes, Ordenanças Militares, atuação da Igreja Católica, questões jurídicas, culturas afros e indígenas e ainda a expansão a partir deste núcleo de povoação nas Minas. 

Em tempo: o autor é um aiuruocano.

A12 – A publicação apresenta a história da primeira povoação colonial do Sul de Minas. No que tange à religiosidade popular, quais manifestações da Igreja Católica o senhor encontrou na história desta localidade? 

Ir. José Mauro Maciel – A publicação do livro “Ayuruoca nos Setecentos” é a tentativa de conceder “chaves” para abrir diversas possibilidades de acesso à História do Sul de Minas, desde o alvorecer do Ciclo do Ouro. Neste cenário, Aiuruoca é a “célula mater” da Região.

No que tange à religiosidade popular, aquela povoação desde o entardecer do século XVII (1694), com o Pe. João de Faria Fialho (+1712), vem somando: devoções (Mariana e Cristocêntrica), doutrina e celebrações oficiais. Então, os resultados das manifestações religiosas foram-se agregando e sedimentando características advindas de Portugal, de outras regiões brasileiras e somadas às realidades locais. Por isso, hoje temos uma grande herança histórico-cultural aiuruocana, cuja paróquia de Nossa Senhora da Conceição celebrará o seu tricentenário em 2017 (foto).

Paróquia Nossa Senhora Aparecida em Aiuruoca

A12 – O que o levou a escrever sobre Aiuruoca? O que o senhor considerou?
Ir. Maciel – O que me motivou a escrever a essa história foram as inúmeras informações espalhadas, sobretudo nos arquivos e bibliografias, que fazem referências à minha terra natal. Ainda que eu me disponha de pouco tempo, pois, na minha condição de Irmão Redentorista eu tenho inúmeras outras ocupações. Mas, mesmo assim, achei por bem colaborar com a História do Sul de Minas e da Igreja, a partir de Aiuruoca. Cujas pesquisas foram realizadas ao longo de 20 anos, com os quais passei “catando agulhas em palheiros”. Por isso, nesta publicação elenquei alguns pontos chaves e que os considero importantes, tais como: os bandeirantes (1687/1694), as Ordenanças Militares: de Pé (1708) e a Cavalaria (1715), a Igreja Católica (1717), as questões jurídicas (1714), as culturas afros (1710) e indígenas (1726) e a expansão a partir deste núcleo de Povoação nas Minas. 

A12 – Por que o senhor quis lançar o seu livro também em Aparecida?
Ir. Maciel – Dois motivos me levaram a lançar este livro também na Comunidade São José, em Aparecida (SP). Primeiro, porque a proprietária e doadora das terras do “Morro dos Coqueiros” (1744) à Nossa Senhora Aparecida, dona Margarida Nunes Rangel (1690-1776), ia com freqüência à região da Aiuruoca, onde seus filhos moravam e foram criados, onde com freqüência eles aparecem nos documentos eclesiásticos, desde os anos de 1730. Segundo, porque muitos aparecidenses e potimenses são de origens aiuruocanas. Assim sendo, achei legítimo compartilhar com eles estas informações históricas também contidas no livro. Lembrando que o lançamento no Museu Municipal de Aiuruoca, em Minas Gerais, será no dia 06 de dezembro de 2014, às 20h00.

*No "Morro dos Coqueiros" foi erigida a primeira capela em honra a Nossa Senhora Aparecida. 

A12 – Qual trecho do livro o senhor destacaria?
Ir. Maciel – Na introdução do livro eu apontei sobre o nosso legado histórico grandioso e a necessidade de nossa tomada de consciência com relação ao mesmo, pois, “a nossa história é mãe e mestra” e com ela podemos realizar grandes e boas transformações:

“Nós sabemos que o exercício das sãs tradições alimenta a Cultura e esta nos revela a História. Portanto, o futuro será melhor quando nos conscientizarmos do presente, descortinando possibilidades e aprendendo com os antepassados. Então, sejamos otimistas, práticos e esperançosos, pessoas de ação! Afinal, o que temos a aprender com a História da Aiuruoca?”

 

Dados sobre a publicação: 
O livro é uma publicação particular, impresso pela Editora Santuário. Possui 197 páginas.
Para adquirir, entrar em contato com o autor pelo e-mail: macielcssr@bol.com.br

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