Por Pe. José de Lima Torres, C.Ss.R. Em Redentoristas Atualizada em 15 FEV 2019 - 12H44

Materdomini: lugar onde vive a memória de São Geraldo Majella

Pe. Anísio Tavares
Pe. Anísio Tavares
Estátua de São Geraldo Majela em Materdomini - Itália


Estive em Materdomini. Pensei que fosse um município, mas trata-se de uma vila ou distrito de Caposeli, no sul da Itália. Ali se encontra a Basílica de São Geraldo Majella, Missionário Redentorista que viveu no tempo de Santo Afonso Maria de Ligório, fundador da Congregação.

Importante lembrar que Geraldo não foi sacerdote, mas um Irmão Redentorista. Irmão, segundo o Ir. Marcos Vinícius: “Aquele a quem pode-se pedir ajuda quando se precisa”.

Como Geraldo. A gente não pede nada a quem não conhece, a não ser em caso extremo. Irmão é aquele religioso que não se afasta do outro porque pertence a outra casta, outra família, outra ideologia religiosa; irmão é aquele que se aproxima do outro porque o vê como semelhante, como igual, como dependente, necessitado do olhar, da mão e dos afetos do outro. Jesus também foi (e continua sendo) nosso irmão. Ele mesmo disse que entre nós deve haver amor: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. E ainda: “Todos vós sois irmãos” (Mt 23, 8). Na hierarquia de Deus não existe mais alto posto do que ser Irmão.

Em Materdomini está aquele que em nossa Congregação desejou e tornou-se um irmão de todos, especialmente dos pobres. E foi além de tudo, o que em sua época a sua comunidade religiosa e a Igreja receitava. Em atitudes, algumas vezes foi mais profético que o próprio fundador, Afonso de Ligório. Ele foi revolucionário em sua paciência porque assim sendo mostrou à Congregação, ao fundador e à Igreja que era preciso mudar as estruturas e rever as atitudes. Não o fez sozinho, mas contou sempre com a graça de Deus.

Essa presença contínua de Deus na vida de Geraldo é contada de forma parabólica através das muitas estórias transmitidas oralmente desde o seu tempo pelos seus devotos. Uma delas diz que Geraldo ainda pequeno foi à missa e, como tinha um desejo ardente de comungar, entrou na fila da comunhão. O padre, ao vê-lo, escrupuloso como era, fez um escândalo com o objetivo de “educar” o menino, para fazê-lo saber que para receber a Comunhão deveria preparar-se! E debulhou o seu “rosário” de conteúdo severo, manifestando o seu descontentamento ao ver uma criança “despreparada” para tão sublime Alimento.

Geraldinho saiu dali humilhado. Mas, diz-se que à noite, o Arcanjo São Miguel apareceu-lhe em sonho e deu-lhe a Comunhão. Geraldo fez sua primeira comunhão sem a autorização da Igreja, sem a presença do seu pároco e nem a “preparação” exigida. Assim a vida do nosso santo irmão nos mostra que para estar na presença de Deus, não são essenciais os protocolos, mas em especial o desejo sincero de o receber.

Esta parábola, que o povo devoto fez questão de transmitir, ensina que a Igreja instituição não pode controlar a manifestação de Deus, pois Ele se revela a quem está preparado de acordo com a sua vontade e não pelos rituais humanos. Pois quando Ele quer, faz acontecer a sua presença e alimenta os seres humanos com os seus dons.

 

Assim, vemos que Geraldo não era um rapaz ingênuo ou sem instrução. Geraldo era um homem inteligente e cheio de Deus. Por isso, nada o atingia de forma que pudesse perder sua serenidade. Quantos sacerdotes e monjas recorriam a ele como orientador espiritual! Era um religioso raro. Certo sacerdote um dia escreveu dizendo que mais valia um sermão do Irmão Geraldo do que uma quaresma com os padres de sua Congregação.

Em Materdomini descansa o corpo do nosso glorioso São Geraldo, santo Redentorista mais conhecido no mundo que o próprio fundador, Santo Afonso.

Geraldo não morreu, continua vivente no coração e na vida do povo. Eis um homem santo, parabólico, profeta, um jovem que decidiu lutar para ser santo e o fez com grande maestria. São Geraldo Majella, rogai por nós! 

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