Por Pe. Vicente André, C.Ss.R Em Redentoristas

Nossa Senhora, Mãe do Perpétuo Socorro

A história da devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é uma história da espiritualidade afetiva. Em cada símbolo, em cada acontecimento contemplamos a ternura de Maria que nos apresenta a grandeza do amor divino e ao mesmo tempo percebemos a resposta de Deus ao clamor suplicante do ser humano.

Segundo a tradição, o quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é uma cópia feita no séc. XIV de outro ícone que era venerado no Oriente e que, segundo esta mesma tradição, o primeiro teria sido pintado por São Lucas (evangelista) e pertencia às primeiras comunidades cristãs.

Celebração do tríduo de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro no Santuário Nacional - 25 de junho - Fotos: Ivan Simas

Alguns historiadores acreditam que o primeiro quadro foi destruído na guerra de 1453, quando os turcos invadiram Constantinopla, mas a cópia do quadro (essa que temos até hoje) permaneceu protegida na ilha de Creta.

Esse quadro da Virgem Maria era muito venerado pela população devido aos grandiosos milagres que operava. Certo dia, porém, um rico comerciante, pensando no bom preço que poderia obter por ele, roubou-o e levou-o para Roma.

Durante a travessia do Mediterrâneo, diz a tradição, o navio que transportava a preciosa carga foi atingido por uma forte tempestade, que ameaçava submergi-lo. Os tripulantes, ignorando a presença da sagrada imagem, no auge do desespero recorreram à Virgem Maria e logo a tormenta amainou, permitindo que a embarcação ancorasse sã e salva em terras italianas.

Um pouco antes de morrer, o tal comerciante confiou o quadro a um amigo, para que o colocasse numa Igreja. Mas o amigo não cumpriu a promessa e permaneceu com o quadro em sua casa.

Anos depois, Nossa Senhora apareceu a uma menina pedindo que o quadro fosse levado para uma Igreja, situada entre as Basílicas de Santa Maria Maior e São João do Latrão.

O milagroso quadro foi então solenemente entronizado na capela de São Mateus, em Roma, confiada aos Agostinianos, no ano de 1499, e ali permaneceu recebendo a homenagem dos fiéis durante três séculos.

A presença do quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro fez com que a igreja de São Mateus se tornasse um pequeno centro de peregrinação. Centenas de pessoas de toda a cidade de Roma visitavam, com frequencia, aquela igreja e se detinham, em oração, diante do altar, onde apresentavam seus pedidos e seus agradecimentos.

Cercada pelo carinho dos fiéis, Nossa Senhora trazia para todos os seus visitantes as bênçãos de Deus. Mas, no ano 1798, aquele templo foi criminosamente destruído pelas tropas de Napoleão. Os religiosos foram dispersados e o quadro caiu no esquecimento.

Em meados do século XIX, o papa Pio IX chamou a Roma os padres Redentoristas, que se estabeleceram no antigo convento dos Agostinianos, local onde existira a igreja de São Mateus. Foi então que um dos religiosos encontrou documentos relativos a uma imagem da Virgem Maria, famosa pelos grandes milagres que realizava. Após muita procura o quadro foi encontrado na Igreja de Santa Maria em Posterula (Roma), por uma revelação especial de Nossa Senhora.

No ano de 1863, o Superior Geral dos Missionários Redentoristas, ao saber da história do quadro e do desejo de Nossa Senhora de ficar naquele local onde estava o nosso convento, pediu ao Papa Pio IX para colocá-lo na Igreja recentemente construída em honra do Santíssimo Redentor e dedicada a Santo Afonso.

Finalmente em 1866 o milagroso ícone foi conduzido triunfalmente ao seu atual santuário por ordem do Santo Padre, que recomendou aos missionários redentoristas: “Fazei que todo o mundo conheça o Perpétuo Socorro”.

De seu trono, na igreja de Santo Afonso, em Roma, onde o quadro está exposto à visitação dos fiéis, a devoção se irradiou por todo o planeta.

Hoje temos nossa fé centrada na pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus gerado no seio puríssimo de Maria. Mas podemos enriquecer a nossa espiritualidade buscando conhecer melhor a pessoa de Maria Santíssima, pois foi através dela que se deu o início a essa belíssima história do amor de Deus que chamamos ‘mistério da Encarnação’.

Tudo começou por iniciativa de Deus. Quem tem maior amor sempre dá o primeiro passo para refazer uma aliança, recuperar uma amizade perdida. Deus toma a iniciativa para concretizar, na história, o que já vinha sendo anunciado pelos profetas. Mas, em sua sabedoria infinita, Deus deseja contar com pessoas que, na liberdade de coração, se disponham a empenhar a própria vida na missão que Ele lhes confiar. Deus chama, a resposta depende de cada pessoa, de acordo com o nível da sua confiança na providência divina.

Todas as representações de Nossa Senhora ajudam as pessoas a alimentarem a certeza da proximidade dessa mãe carinhosa que nos assegura a pertença à família de Deus e nos dá segurança e paz. De modo especial, quando contemplamos o quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro percebemos que não há medo e nem sofrimento que possam tirar a segurança e a serenidade de quem confia plenamente em Deus. O olhar sereno de Maria inspira a nossa confiança. Seu olhar nos acompanha e traz serenidade ao nosso coração, pois esse olhar de amor revela a ternura de Deus que nos traz alento e consolação por maiores que sejam os desafios de nossa vida.

Bem ao centro do quadro contemplamos as mãos de Maria e de Jesus. O menino Jesus segura confiante na mão de sua mãe querida, enquanto que a mão de Maria, mesmo dando total segurança ao seu filho, permanece aberta. É nessa mão aberta de Maria que reside a nossa esperança, pois em algum momento de nossa vida pode ser que, junto com a mão de Jesus, será na mão de Maria que vamos colocar também a nossa mão, em busca do refúgio e da segurança que podem nos devolver a paz.

Pe. Vicente André C.Ss.R

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