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Carnaval ou Retiro: desejo de encontrar-se!

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Enquanto os sons das baterias e dos tamborins ressoam por todos os cantos, nos becos e vielas, praças e avenidas; enquanto outros buscam o silêncio e a meditação, reflita comigo, sob o olhar da fé, o sentido da vida, escondido nesse ambiente carnavalesco. 

É próprio do ser humano o desejo de sair de si mesmo. Nossa existência delimitada num tempo, força-nos a encontrar conosco mesmos e com Deus; pois é Ele quem nos dá o sentido e a realização de nossas vidas. 

Vivemos uma correria desenfreada e numa velocidade incalculável, e quando “acordamos” nos perguntamos: “Para onde estamos correndo?”.

Enquanto as avenidas mostram o grande espetáculo de cores e sons, ou no silêncio daquele recanto onde outros procuram se encontrar com Deus e consigo mesmos, continuamos a nos perguntar sobre nós mesmos. E aqui convido você a pensar: é preciso descobrir o que está além de nossos olhos. É preciso sentir-se gente num mundo marcado pela exploração, pela ganância, pela corrupção, pela atitude desavergonhada daqueles que não têm ética nem respeitam o bem comum. 

O barraco se aproxima do “palácio”, das ruelas estreitas das favelas; posso pisar no chão liso da avenida, que me exalta e escutar a platéia que me aplaude. O resto do ano fica-se escondido no anonimato, e ainda carregando o peso de uma sociedade estruturada na injustiça: salário baixo, precariedade no atendimento de saúde, férias superfaturadas dos políticos... o pobre... pobre pobre, que tem de contar as moedas para ver se dão para pagar a água e a luz. O mapa da avenida não mostra o mapa da vida, mas apenas o desejo dos oprimidos de serem considerados e amados.

Outros estão fazendo seus retiros, porque é no silêncio que me encontro com Deus. O barulho dos tambores e tamborins é o grito dos que vivem no anonimato,  e o silêncio é o grito dos que buscam a Deus em sua existência. Tanto nesses como naqueles há a busca do sentido da vida. Tanto um como outro nos levam a pensar que a pessoa humana precisa ser amada, e aí está a fé. Por isso, creio que não é absurdo afirmar que o carnaval pode levar a pessoa a encontrar-se consigo mesma, e consequentemente com Deus.

Então, o carnaval pode ser cristão. Não fiquemos a avaliar o que nossos olhos vêem e a julgá-los com falsos moralismos até. Descubramos o que está além de nossos olhos: uma pessoa humana oprimida e sofredora, que desceu o morro para dar seu “grito de liberdade”. Sociedade que exclui é sociedade que mata. Por isso o pobre insiste em viver, e na avenida clama pela vida. Será que dá para nos desvestirmos de nossos conceitos e apreciações e olhar um pouco além daquilo que vemos? ​

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