Por Padre Luiz Carlos de Oliveira, CSsR Em Notícias

Homilia 15º Domingo Comum

Padre Luiz Carlos de Oliveira, CSsR

“O semeador saiu a semear”

Compreender em totalidade

Mateus, no discurso das parábolas, oferece uma visão sobre o Reino de Deus. Não dá uma definição, mas o descreve. É difícil entender a recusa ao Reino de Deus. Não que seja impossível compreender. O que existe é o coração fechado. Jesus usa as palavras de Isaias para justificar seu modo de falar em parábolas.

Foto de: A12

homilia

 

No livro do Deuteronômio (29,3.8) encontramos uma explicação: “até o dia de hoje o Senhor não vos tinha dado um coração para compreender, olhos para ver e ouvidos para ouvir”... “Observai as palavras desta Aliança e colocai-as em prática para serdes bem sucedidos em tudo quanto fizerdes”.

 

Sem a observância da aliança não há entendimento do que Deus fez ao povo. Por que ouvido, olhos e coração? Trata-se da totalidade da pessoa. A semente só vai produzir fruto em abundância se houver acolhimento total: razão (olhos), físico (ouvido) e sentimentos (coração).

 

O Reino de Deus respeita a opção de cada um e sua condição. Por isso há possibilidade de recusa. Como em todas as parábolas, usa comparações ao alcance das pessoas. Coisas da vida do dia a dia. A sabedoria é dizer em palavras simples o que podemos falar de modo difícil.

 

O Papa Francisco fala profundo com palavras simples. Quando acolhemos o Reino de Deus damos frutos em abundância. Não exige igualdade de produção, mas que haja frutos. A qualidade da terra não significa que há gente que não vai conseguir nada. Tudo depende da abertura do coração. A terra ruim é o desinteresse total para tudo o que é de Deus (terra à beira do caminho); a falta de busca do bem, superficialidade, as veleidades, a falta de interesse, de princípios e de perseverança (terreno pedregoso); a busca do prazer, dos vícios, o orgulho, o consumismo, vaidade etc (terra de espinhos); A terra boa é aquele que ouve a Palavra e a compreende. Esse dá fruto.

 

A Palavra dá resultados

 

O coração aberto à Palavra frutifica de muitos modos. O salmo 64 é a visão espiritual ao contemplar a natureza. Por esse salmo podemos compreender que a espiritualidade não é somente amontoar rezas, mas também contemplar a natureza com os olhos de quem a criou. É também fruto da Palavra. No final diz: “E tudo canta e grita de alegria!”.

 

A vitalidade da Palavra dá vida ao Universo. Ouvimos na carta aos Romanos: Também a natureza sofre as conseqüências do pecado do homem, mas participará da liberdade da glória dos filhos de Deus (Rm 8,18-21). Os resultados da Palavra são eficientes como eficiente é a chuva, como nos escreve o profeta Isaías.

 

A chuva desce do céu e não volta antes de ter cumprido sua missão que é irrigar, fecundar a terra, fazer germinar, dar a semente para o plantio e para a alimentação. A semente é para continuar produzindo através da nova semeadura. E é alimento para dar vida. Do mesmo modo é a Palavra que realiza a vontade de Deus e produz os efeitos, como a chuva: irriga, fecunda, faz germinar, continua a semeadura e dá alimento.

 

Cristão de fato

 

São Inácio de Antioquia escreve em sua carta aos romanos: “Que eu não só seja chamado de cristão, mas reconhecido como tal”. Estamos aqui para decidir acolher e viver o Reino de Deus produzindo frutos. A pregação de Jesus convida à conversão para que a semente do Reino de Deus possa produzir frutos abundantes. A implantação do Reino de Deus passa por muitas etapas como podemos ver nas outras parábolas. Ele é o tesouro pelo qual se deve dar tudo para possuí-lo. Tudo feito na mais pura alegria.

 

Leituras: Isaias 55,10-11; Salmo 64; Romanos 8,13,1-23; Mateus 13,1-23 Ficha nº 1352 - Homilia 15º Domingo Comum (13.07.14)

 

1. Jesus explica o Reino através de parábola. O fechamento do coração acontece porque não se aceita o Reino com totalidade. Por isso fala de olhos, ouvidos e coração. Jesus usa palavras simples, ao alcance do povo. O que determina a terra boa é a abertura do coração. Os obstáculos sãos os mesmos mudando de nome.

 

2. O coração aberto frutifica de muitos modos. Pelo salmo compreendemos a ligação com a natureza que é um caminho de oração. Os resultados da Palavra são eficientes como a chuva. A Palavra realiza a vontade de Deus e produz frutos.

 

3. S. Inácio de Antioquia insiste em que sejamos cristãos de fato. Estamos aqui para decidir acolher e viver o Reino produzindo frutos. Ele é um tesouro pelo qual se deve dar tudo para possuí-lo. Tudo feito na alegria.

 

Não dê bobeira

 

Lemos a parábola do semeador. Ele joga a semente que cai em terrenos diferentes. Jesus explica o que significa ouvir a Palavra sem atenção, sem persistência, com outras preocupações e com o coração aberto. Este é a terra boa que produz fruto.

 

Vejamos a terra que somos. Depois não vamos reclamar! A força da Palavra é como a chuva. Ela cumpre sua missão. Agora é a vez de fazermos nossa parte para que venham os frutos. Uma terra boa precisa ser cuidada para que produza sempre mais frutos. Isso traz algum sofrimento.

 

O sofrimento não tem nem comparação com a riqueza dos frutos que virão, nesta e na outra vida. Vivendo bem a Palavra, até a natureza vai ser libertada dos sofrimentos que lhe causamos pelos nossos pecados que a danificam.

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