Por Padre Luiz Carlos de Oliveira, CSsR Em Notícias

Homilia do 19º Domingo Comum

Padre Luiz Carlos de Oliveira, CSsR

“Não tenhais medo”

Tempestade e bonança

 

Na história do povo de Israel, quando alguém recebia uma comunicação de Deus, no caso uma visão, ouvia as palavras: “Não tenhas medo”. Assim disse o Anjo a Maria. Jesus diz o mesmo aos discípulos quando O vêem vir sobre as águas: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo”. Diz a Pedro que ficou com medo de se afundar: “Homem fraco na fé, por que duvidastes?”.

 

homilia

Diante da grandeza de Deus, o homem sente o temor reverencial. Não tenhamos medo de Deus quando O encontramos na oração. Podemos até dizer: “Eu e Deus nos entendemos bem”. A celebração hoje nos convida a um encontro com Deus no meio da tempestade. Elias vive uma tempestade terrível que foi a perseguição de Jezabel, a rainha mulher de Acab. Foi ao encontro de Deus no monte Horeb (1Rs 19,9-13). Os discípulos estavam sob forte tempestade e Jesus foi a seu encontro caminhando sobre as águas (Mt 14,22-33).

São duas situações iguais. O encontro de Deus com Elias se dá no murmúrio de uma leve brisa (12). Os discípulos são acalmados por Jesus quando entra em seu barco. Não ter medo significa que o relacionamento com Deus supera as tempestades. O mar bravio traz a idéia de algo maligno. Por isso Jesus está por cima.

Nesse contexto encontramos Jesus que é modelo de oração. Não só ensinou o Pai Nosso, mas ensinou que é necessário rezar. Ele rezava a sós, rezava também com os discípulos as orações do povo como também freqüentava o templo. O povo da aliança era um povo que sabia rezar. Devíamos ter medo de não rezar. Rezamos pouco e mal. Jesus rezava muito e bem.

A palavra de Deus hoje nos convida a uma reflexão sobre nossa oração. Ela nos induz à serenidade nas tempestades. Ser cristão é realizar a vocação de orante. Por que rezar? Porque a oração faz parte do ser humano. Sendo humanos temos necessidade de estar em contato com Deus.

Quero ouvir o Senhor

A oração é condição para a vitalidade da vida cristã. Jesus gostava de conversar com o Pai. Impressiona sua atitude orante. Não se trata de rezar muitas coisas, mas de ter o diálogo com o Pai. Quando estamos em dificuldades apelamos para a oração, como fizeram os discípulos.

Jesus no momento da crise no Jardim das Oliveiras rezou expressando sua angústia e sua adesão à vontade do Pai. Não é só quando pesa que devemos rezar. O salmo instrui como rezar: Ouvir: Quero ouvir o que o Senhor irá falar; A oração traz a paz: “É paz que ele vai anunciar... a verdade e o amor se encontrará, a justiça e a paz se abraçarão”; A oração também se destina às coisas da vida. Mesmo no cotidiano queremos depender de Deus: “O Senhor nos dará tudo de bom, e a nossa terra nos dará suas colheitas”; Temos certeza que Deus nos ouve quando estamos afundando: “Senhor, salva-me”! Assim grita Pedro.

A resposta de Jesus nos remete à fé: “Homem fraco na fé, por que duvidaste? A fé nos leva a professar a fé: Tu és o Filho de Deus!

Força do silêncio

Deus acalma o profeta com a visão no Horeb e Jesus acalma a tempestade. Acalma nas dificuldades e no ruído da vida. A visão de Elias insinua que Deus só fala quando todo mundo faz silêncio. Mas Jesus ouve o grito dos discípulos no medo e na tempestade. A espiritualidade cristã, procurando eliminar o barulho exterior, busca o silêncio interior.

É preciso ter sempre um cantinho no qual encontramos o momento para nossa oração, mesmo no meio do barulho. Vivemos agitados. Mais ainda se torna necessário ir cultivando o silêncio interior que vai ao exterior. Não tenhais medo!

Leituras: 1º Reis 19,9ª.11-13ª; Salmo 84,9-14;Romanos 9,1-5; Mateus 14,22-33

Ficha nº 1360 - Homilia do 19º Domingo Comum (10.08.14)

1. As comunicações de Deus causavam temor. Os discípulos gritaram de medo. Diante de Deus temos o temor reverencial. Não podemos ter medo na oração. Elias encontra Deus na brisa mansa e Jesus vai ao encontro dos discípulos na tempestade. Deus supera as tempestades. Jesus rezou e ensinou a rezar. O cristão deve ser orante. A oração faz parte do ser humano.

2. A oração é condição para a vitalidade da vida cristã. Rezar não é falar coisas, ter diálogo com o Pai. Nas dificuldades apelamos para a oração. Jesus fez assim no Horto. Para rezar é preciso ouvir o que o Senhor quer falar. A oração traz paz e se refere também às coisas da vida e à dificuldades. Leva à fé: Tu és o Filho de Deus.

3. Deus acalma o profeta com a visão no Horeb e Jesus acalma a tempestade. Acalma os ruídos da vida. Deus não só fala no silêncio. É preciso eliminar o barulho e buscar o silêncio interior. Mesmo no meio do barulho é preciso ter silêncio interior.

Surfando nas ondas de Deus

O coração de cada pessoa tem um desejo muito grande de ser preenchido em seus vazios. Nada satisfaz o homem por inteiro. Por que as pessoas buscam tantas coisas e não se satisfazem? Elias foi longe para ver Deus e o encontrou no silêncio de um ventinho fresco.

Mesmo havendo grande barulho fora, dentro deve haver silêncio. Mesmo no sofrimento podemos manter o contato com Deus. Jesus foi ao encontro dos discípulos na noite na tempestade do mar. Pela fé podemos surfar em todas as dificuldades, pois estamos nas ondas de Deus.

Jesus como Deus está unido ao Pai por seu ser divino. Sofredor como nós procurava sempre momentos de oração. Sem oração não vamos nos afogar nas ondas da vida. Com ela estamos nas ondas de Deus. Com fé podemos estar em cima das ondas.

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