Por Padre Luiz Carlos de Oliveira, CSsR Em Notícias

Homilia do 4º Domingo da Páscoa

Padre Luiz Carlos de Oliveira, CSsR

 

“Eu sou a portas das ovelhas”

 

 

 

homilia

Ouvem a voz do Pastor O livro dos Atos dos Apóstolos relata as primeiras conversões que aconteceram a partir do anúncio feito por Pedro. A conversão é obra de Deus. Ouvindo a voz do Pastor, passa-se pela porta. A figura do pastor é fundamental no Antigo Testamento.

 

Quando Jesus diz: “Eu sou o bom pastor” está se revelando não só como o pastor do povo, mas identificando-se com o próprio Deus que declarou seu nome a Moisés: “Eu Sou” (JHVH - יהיה– Senhor (Kýrios). No decorrer da história, este Deus Único, se revelou como Aquele que se fez Pastor, pois caminha com bondade com seu rebanho para a pátria, como vemos no êxodo do Egito e no retorno do exílio (Is 40,11).

 

O relacionamento ovelha-pastor se funda no conhecimento. Deus tem o rebanho como propriedade, não de poder, mas de aliança, ressaltando sua fidelidade. Um elemento novo na reflexão sobre o pastor é a relação de necessidade de entrar no redil por meio Dele que é a Porta, a passagem.

 

Ninguém vai ao Pai senão por mim, afirma. Diz: “Eu sou a Porta”. Vemos aí afirmada sua Divindade. Mostra que Jesus, como Deus, dá acesso à Vida, como para a ovelha é a água e a verde pastagem (Sl 22). Em Jesus não há obstáculo para o encontro com o Pai. As orações da liturgia de hoje falam das alegrias celestes (oração) e prados eternos (pós-comunhão), símbolo da vida de ressuscitados com Jesus que dá a vida em abundância (Jo 10,10). O Bom Pastor deu a Vida. Por isso é a Porta. Quem passa por esta Porta entra para a vida abundante.

 

Quem se põe no lugar de Jesus é o assaltante que vêm para matar, roubar e destruir o bom povo. A esses as ovelhas do Pai não seguem, porque não reconhecem a voz de um estranho (Jo 10,5)

 

Carregou nossos pecados

 

Na reflexão sobre a Páscoa de Jesus que passou pela morte, compreendemos como foi o perdão total da humanidade, como nos explica Pedro na segunda carta: “Sobre a cruz carregou nossos pecados em seu próprio corpo, a fim de que, mortos para os pecados, vivamos para a Justiça. Por suas chagas fomos curados” (1Pd 2,24).

 

“Deus O fez pecado”, quer dizer, assumiu nosso pecado como seu (2 Cor 5,21). S. Afonso diz: “Jesus já pagou a penitência”. A abertura diante da Palavra do apóstolo, sem obstáculo, leva à mudança do coração como um corte que o esvazia pela conversão para viver o Batismo.

 

É espada de dois gumes que divide entre a alma e o espírito, isto é, entre o intelectual e o espiritual. Abre-se o espaço para a conversão, permite entrada da graça de Cristo que conduz ao Batismo. Pedro continua: “E recebereis do dom do Espírito Santo prometido” (2ªPd 2,38) que é Redenção, Santificação e Divinização.

 

A graça da Redenção é também participação nos sofrimentos de Cristo, pois a perseguição já estava violenta. Pedro anima os cristãos a seguirem Jesus também nos sofrimentos: “Também Cristo sofreu por vós deixando-vos o exemplo para que sigais seus passos” (1Pd 2,21).

 

Cristo não cometeu pecado e sofreu. O sofrimento de quem crê, une-o à paixão redentora de Cristo.

 

A Páscoa nos renova

 

A festa da Páscoa nos convida a uma permanente alegria, como rezamos: “Sempre nos alegremos por estes mistérios pascais, para que nos renovem constantemente e sejam fonte de eterna alegria” (Oferendas).

 

Suportar os sofrimentos rompe a espiral da violência que continua forte. A imagem de Cristo ferido pela lança anima a abrir o coração ao conhecimento do Pastor e passar a pela Porta que se abriu. A renovação pascal deve nos conduzir a renovar todas as estruturas da Igreja e do mundo. Páscoa é mundo novo.

 

Leituras: Atos 2,14ª.36-41; Salmo 22; 1Pedro 2,20b-25; João 10,1-10

Ficha nª 1334 – Homilia do 4º Domingo da Páscoa (11.05.14)

Ao ouvir a voz do Pastor passa-se pela Porta. A imagem que Jesus se faz de Pastor mostra sua Divindade como Deus revelou a Moisés: “Eu Sou”. O relacionamento ovelha e pastor se dá no conhecimento. Para entrar no redil é preciso ouvir o Pastor e passar pela Porta. Só por Ele que se vai ao Pai. A liturgia lembra os bens da fé nas imagens de prados e águas, vida abundante.

 

O perdão de que nos trouxe a Morte e Ressurreição de Jesus foi total, pois ele carregou sobre si nossas culpas, fez-se pecado por nós e curou-nos por suas chagas. A abertura diante da Palavra nos conduz à mudança do coração e esvazia pela conversão para viver o Batismo. Assim se recebe o Espírito Santo. Quem crê participa dos sofrimentos de Cristo.

 

Os mistérios pascais nos renovam constantemente. Suportar os sofrimentos rompe-se a espiral da violência. A imagem de Cristo ferido pela lança anima a abrir o coração ao conhecimento do Pastor e passar por Ele que é a Porta.

 

Encantador de ovelhas

 

 

O Apóstolo João narra como Jesus usava a imagem do rebanho, da ovelha e do pastor para explicar sua missão. As ovelhas eram protegidas à noite no curral seguro. Entre estas imagens está o relacionamento entre o pastor e a ovelha.

 

 

Elas não seguem o estranho. Conhecem a voz do pastor. Jesus se põe como o pastor que conhece as ovelhas e é conhecido por elas. Ele é também a porta pela qual devem passar. Somente Jesus é a Porta, a passagem, para o encontro com o Pai e entrar no Reino.

 

 

Para constituir essa comunidade de seguidores de Jesus todos devem passar pela conversão e pelo Batismo. São Pedro, em sua carta, ensina que Jesus carregou nossos pecados em seu corpo passando pelos sofrimentos. Assim nos curou. Estávamos perdidos e desgarrados. Agora retornamos ao pastor e guarda de nossas vidas (1Pd 2,24). Fomos encantados por tudo o que fez por nós.

 

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