Revista de Aparecida

“Enriqueceu de bens os famintos” (Lc 1,53)

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Escrito por Revista de Aparecida

09 OUT 2026 - 08H00

Thiago Leon

Há uma fome que começa no corpo, mas nunca termina nele. Há fome de pão, certamente, mas também de justiça, de dignidade, de presença, de futuro. No Magnificat, Maria canta a partir desse lugar profundo onde a esperança dos pobres encontra a fidelidade de Deus: “Enriqueceu de bens os famintos”.

Maria é mulher da Palavra porque se deixou habitar por ela. E a Palavra, quando encontra morada em nós, põe-nos a caminho. Foi assim com ela: depois da anunciação, não ficou fechada no mistério que recebera; partiu depressa para a casa de Isabel. Em Caná, percebeu a falta antes que alguém a dissesse. No Calvário, permaneceu quando quase todos tinham partido. Maria ensina-nos que a fé tem olhos, tem mãos e tem passos.

Maria conduz-nos a uma paz que não é silêncio diante da injustiça, mas fruto de relações reconciliadas e vidas restituídas à dignidade. O Magnificat continua a ser cantado sempre que alguém reparte o pão, levanta o caído, acolhe o esquecido e devolve esperança a quem já não esperava.

Talvez seja assim que Deus ainda hoje enriquece de bens os famintos: passando pelo coração e pelas mãos daqueles que consentem em fazer do amor uma forma concreta de justiça.

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