Santo Padre

Em Lourdes, Leão XIV recorda que a esperança também passa pela dor

Em visita ao santuário, Papa esteve com doentes e vítimas de abusos, celebrou a Missa e pediu que o Rosário seja rezado pela paz em outubro

Linkedin

Escrito por Redação A12

28 SET 2026 - 11H44

Reprodução/ Vatican Media

Na noite de sábado (26), pouco depois de chegar a Lourdes, o Pontífice entrou no santuário, aproximou-se da rocha onde Nossa Senhora teria aparecido a Santa Bernadette Soubirous e permaneceu alguns minutos em oração. 

Antes de falar aos peregrinos, o Papa Leão XIV fez silêncio diante da Gruta de Massabielle. Bebeu da água da fonte e acendeu uma vela, como fazem os milhares de peregrinos que passam diariamente por aquele lugar.

No dia seguinte, Lourdes mostrou ao Papa justamente aquilo que faz parte de sua história: pessoas que chegam trazendo suas dores, suas perguntas e suas esperanças. Pela manhã, Leão XIV encontrou os bispos franceses e, em seguida, recebeu em privado pessoas que sofreram abusos no ambiente eclesial. Mais tarde, esteve com os doentes, acompanhantes, voluntários e profissionais que trabalham no acolhimento dos peregrinos.

O encontro com os enfermos deu um tom particular à visita. Em um lugar frequentemente associado a curas, o Papa chamou atenção para algo anterior ao milagre: o valor da pessoa que sofre: “Não sois um fardo, sois o coração pulsante da nossa humanidade e um tesouro precioso para a Igreja”, disse.

Aos profissionais de saúde, Leão XIV dirigiu outro apelo, diante de uma cultura que, segundo ele, pode considerar determinadas vidas como menos dignas quando chegam a doença, a dependência ou a velhice: “Cuidar de uma pessoa que sofre, não eliminá-la. Queridos amigos, sede servidores apaixonados da vida!”

A mesma perspectiva apareceu na Missa celebrada no Prado do Santuário. Ao comentar as leituras do domingo, o Papa relacionou a mensagem de Lourdes ao chamado à conversão. Recordou que Nossa Senhora pediu a Bernadette “Penitência! Penitência! Penitência!” e explicou que esse convite não diz respeito somente à mudança individual, mas também à Igreja, chamada a reconhecer suas feridas e deixar-se renovar por Deus.

Reprodução/ Vatican Media Reprodução/ Vatican Media

Um lugar onde a fragilidade tem lugar

Na homilia, Leão XIV apresentou Lourdes como um lugar que contrasta com a tendência de esconder aquilo que causa desconforto. Ali estão os doentes, as pessoas com deficiência, aqueles que choram e os que chegam carregando histórias difíceis. Por isso, afirmou:

“Perante as correntes atuais que procuram redefinir o valor da vida humana face à doença, ao sofrimento ou à velhice, a Gruta de Massabielle ergue-se como um santuário da esperança cristã. Aqui, nenhuma fragilidade é rejeitada.”

Para o Papa, essa experiência não deve terminar na Gruta. O peregrino é chamado a voltar para sua realidade, levando consigo uma maneira diferente de olhar para quem sofre e para as próprias dificuldades. “Não partireis de Lourdes como chegastes: partireis como missionários da esperança”, afirmou ao final da celebração.

Depois da Missa, durante o Angelus, Leão XIV retomou a presença do Rosário na história de Lourdes. Foi com o terço nas mãos que Bernadette recebeu a presença de Maria durante as aparições, e foi também com a oração que o Papa quis ligar o santuário às dores do mundo atual.

“Hoje convido todos os fiéis e todas as comunidades cristãs a rezar o santo Rosário durante o próximo mês de outubro”, pediu.

A intenção é que a oração acompanhe o desejo de que terminem as guerras e de que a paz alcance os povos envolvidos em conflitos. O Papa acrescentou que essa oração precisa vir acompanhada de “ações concretas de penitência e misericórdia”, além do compromisso com o diálogo e a reconciliação.

À noite, Leão XIV voltou à Gruta para participar da oração do Rosário e da Procissão das Velas. Entre milhares de peregrinos que caminhavam com pequenas luzes nas mãos, falou sobre Maria como aquela que conduz os cristãos a Cristo e sobre a esperança que permanece mesmo quando a vida é atravessada por provações.

“Esta luz que nos guia e nos atrai é a da esperança que nunca nos abandona, mesmo enquanto peregrinamos nesta vida, muitas vezes marcada por provações, mas já habitada pela alegria de nos sabermos filhos de Deus, amados e salvos por Jesus.”

Depois de pouco mais de um dia, o Papa deixou o santuário onde tantos procuram uma resposta para a doença e o sofrimento, levando uma mensagem que não promete uma vida sem dor. Em suas palavras, a esperança cristã aparece justamente ali: na capacidade de permanecer diante daquilo que fere, confiar em Deus e reconhecer que nenhuma vida perde seu valor por causa da fragilidade.


LEIA TAMBÉM: Papa Leão XIV inicia primeira viagem à França

Fonte: Vatican News

Seja o primeiro a comentar

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.

0

Boleto

Carregando ...

Reportar erro!

Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou de uma informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:

Por Redação A12, em Santo Padre

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente.

Carregando ...

Enviar por e-mail