Por Devotos Mirins Em Papo de Adulto Atualizada em 27 FEV 2020 - 14H36

Jogo de crianças ou adultos? A febre do Pokémon pode ser uma diversão em família?


A história começa na década de 90 com desenho japonês de um treinador de “bichinhos” e que agora, diante da tecnologia, sobretudo da realidade aumentada, possibilita que todos os que tiveram na infância os monstrinhos animados, como desenhos, envolverem-se como protagonistas, sendo eles mesmos caçadores e treinadores dos Pokémons.

Muitas perguntas surgem, quando um jogo tecnológico invade a vida de mais de 76 milhões de usuário no mundo: O que possibilitou a este jogo virar “febre” tão rapidamente? Quais os reais perigos e as vantagens deste jogo? É um jogo que vicia e o vício é prejudicial? Por que é tão estimulante?

Algumas características da atualidade podem ser relacionadas com este jogo tecnologicamente moderno e que envolveu adultos e crianças. Falam de sermos “reféns de espaços reduzidos”, ou seja: morar em apartamentos e ter medo da violência das ruas tranca uma parcela considerável da população em espaços, nos quais o caminhar livre, o brincar na natureza, não fez parte das conquistas infantis típicas do brincar com amigos, primos e até desconhecidos, no parque público da cidade.

O jogo leva as pessoas para um novo convívio social e por estarem tão concentrada na brincadeira, alguns medos nem são percebidos ou são minimizados.

A psicologia sempre demonstrou a importância do brincar para crianças, em diversos níveis. Para exemplificar, podemos focar o aspectos de socialização que influi no desenvolvimento da criatividade e no exercício de maturidade com os ganhos e perdas típicas do brinquedo.


O brincar em espaços amplos, ligados à natureza, pode, sob determinado aspecto, oferecer novas e distintas experiências do brincar em telas de computadores e celulares, como hoje acontece com muitas crianças que passam dias, meses e até anos, presas a essa atividade.

Pokémon Go leva seus jogadores a caminharem por vários locais que incluem praças e parques públicos. É um exercício de socialização e de ocupação de espaços mais amplos do que os apartamentos e pequenos playgrounds de condomínios.

A experiência de liberdade pode ser fortemente sentida, porém ainda vale a ressalva de que não é você que escolhe aonde vai, mas é o jogo que conduz você para onde os Pokémons estão. Como fica o exercício da liberdade? Só se caminha se efetivamente se escolhe, mas vale aqui um alerta: o jogo conduz você ou você conduz o jogo?

Outra consideração é quanto ao formato de pontuação intermitente. Quanto mais se captura os bichinhos, mais o jogador pontua e evolui no game. Os pontos e as recompensas podem estar em qualquer lugar e você pode conquistá-los a qualquer hora. A recompensa sem saber bem a hora e o local é altamente estimulante para levar o jogador a se viciar na atividade. Não são todas as pessoas e nem todo jogo com esta característica, que efetivamente viciam, mas o conjunto de carências do espaço de brincar, de motivações sociais e de recompensas aleatórias identificadas são ingredientes que compõem a “febre” pelo Pokémon Go.

A família deve repensar: Como meus filhos estão aproveitando os espaços públicos com liberdade e segurança? Quais a formas de diversão mais utilizadas e como as crianças se socializam e se exercitam, fisicamente, no brinquedo? Como a presença dos pais e da tecnologia na vida dos filhos se tornam aliadas e não inimigas?

Não há nenhuma indicação nem positiva nem negativa para participar da caçada aos bichinhos japoneses, mas não percamos a oportunidade de refletir sobre o ato do brincar visando a buscar uma vida mais saudável, mais feliz e sem dúvida, mais ampla a fim de alcançar uma formação integral mais eficaz, para as crianças que tanto amamos.

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