Por Eduardo Góis Em Notícias Atualizada em 01 DEZ 2017 - 14H31

Saiba o que fazer com o 13º salário

Viagens, presentes, festas. O ano termina, os gastos aparecem e as dívidas crescem. Muita gente já está pensando em usar o 13º salário para pagar os excessos e dar um fôlego nas contas, principalmente quando se leva em consideração que 2017, não foi lá dos melhores anos para o bolso do brasileiro. Já outros pensam em poupar todo o dinheiro extra que vai entrar. Mas qual será a melhor opção? Na verdade, depende. Cada caso é um caso.

Aquele que está com a corda no pescoço realizará menos sonhos em 2018. Já quem estiver com todas as contas sob controle poderá festejar bastante. Pelo menos é isso que indicam os especialistas no assunto. E você, já sabe o que fazer com o seu 13º?

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Está aberta a temporada de oportunidades, tanto de gastar tudo, quanto de ter cautela quando o assunto é dinheiro. Segundo especialistas, agora é o período ideal para promover uma faxina financeira no orçamento.

A grande questão é: o que fazer com o benefício? O ideal é que ele chegasse como um bônus para a realização de satisfações pessoais, como um presente. No entanto, desde 1962, quando este extra foi criado, muita gente o aguarda ansiosamente para cobrir o desequilíbrio financeiro.

O JS ouviu a opinião de especialistas e, de acordo com alguns deles, o endividamento é um problema que tem de ser resolvido com o próprio salário, e isso implica na redução de gastos. É muito provável que pessoas que estejam nessa situação não estejam respeitando o próprio padrão de vida, portanto cometendo excessos. Por outro lado, alguns dos especialistas ouvidos indicam que é hora de aproveitar o benefício e tentar reverter a situação para um recomeço nas finanças pessoais.

Segundo o economista, professor de finanças e consultor em economia da IBE-FGV e FGV Management, João Mantoan, tempos de crise são uma grande oportunidade para rever situações e colocar em prática ações para corrigir ou ajustar possíveis desequilíbrios de ordem financeira e estrutural. “Agora, com o recebimento do 13º salário, devemos analisar e rever algumas decisões para que possamos aproveitar este recurso disponível”, cita.

Mantoan explica que para aqueles que estão com contas em atraso ou com alguma dificuldade em honrar seus compromissos financeiros regularmente, é vital um planejamento e controle de orçamento, sempre lembrando que não se pode gastar mais do se ganha e que, ainda, deve-se definir um percentual para poupar.

Ele aconselha que com o 13º em mãos é momento de identificar quais são as contas que possuem o maior custo financeiro (juros) e estabelecer prioridade no pagamento destas, além de não se esquecer de que no início de cada ano surgem aquelas contas que já são tradicionais para a maioria das pessoas: IPVA, IPTU, material escolar e etc.

Outro aspecto importante são os festejos de fim de ano. “Quanto à utilização do 13º salário para comprar os presentes de Natal para familiares e amigos, devemos lembrar que em tempos de crise, mesmo com o apelo do Bom Velhinho e das campanhas de marketing, é importante analisar-se bem, pois talvez tenhamos que, obrigatoriamente, reduzir o valor dos presentes e em alguns casos, substituí-los por abraços fraternos e carinhosos”, lembra.

Para o gerente de recursos humanos da King Contabilidade, Eduardo Marciano, muita gente já está pensando em usar o 13º salário para pagar os excessos e dar um fôlego nas contas sim, pois essa é a tendência. “O comentário é geral entre os trabalhadores que estão com pendências financeiras, usar o dinheiro para colocar as contas em dia. Isso é o ideal nesses tempos de crise, pois o ideal é quitar todas as dívidas para evitar juros maiores”, explica.

Aquele que está com a corda no pescoço realiza menos sonhos

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Na avaliação de João Mantoan, os sonhos podem ser afetados pela crise financeira, mas não se deve permanecer apático diante da situação e, sim, buscar alternativas para que os projetos sejam realizados e os sonhos conquistados. “Em tempos de crise surgem grandes oportunidades e uma forma de transformar sonhos em realidade e estabelecer uma data para que estes sejam realizados”, revela.

Na opinião do professor é preciso ter cautela com as finanças pessoais não somente para a promoção de determinadas faxinas no orçamento, mas para um planejamento de vida, com mais responsabilidade e controle sobre as finanças pessoais e empresariais. “O ideal é que o 13º chegasse como um bônus para a realização de satisfações pessoais, para realizações, principalmente pela nossa dedicação e empenho no transcorrer do ano. Infelizmente o que acontece é que o 13º salário já é incorporado como uma verba emergencial nos orçamentos e nem sempre são utilizados para atender as satisfações pessoais.

Atenção máxima

Há quem recorra aos bancos que oferecem antecipação do 13º como uma forma de empréstimo para quitar dívidas ou amenizá-las. Mas nem sempre isso é realmente indicado.

Para João Mantoan, tal atitude é indicada somente em casos extremos, pois estas operações de antecipação possuem um custo financeiro (juros) considerável e sempre deve-se comparar o custo financeiro da operação com o da dívida em questão. Ou seja, o indicado é somente antecipar o 13º salário se o custo desta antecipação for menor em relação ao da dívida que se pretende pagar.

Não caia em ciladas

Nossos especialistas repassam dicas importantes para os consumidores não passarem sufoco nesses tempos de crise, festas e tentações.

salárioComo gastar o 13º salário?Com a Reforma Trabalhista em vigor como fica regulamentado o salário?A especialista em finanças, Sara do Carmo diz que se a pessoa está endividada, negocie o seu débito. No final do ano acontecem grandes mutirões de negociação – centralizando várias empresas em um único lugar. “Uma ótima oportunidade de resolver várias pendências de uma vez. Se a pessoa não está endividada, siga a sugestão de seccionar: reserve um pouco, pague algumas dívidas, e consuma com parcimônia nas festas de fim de ano”, aconselha.

De acordo com a especialista dinheiro não é para infelicidade, pois se bem administrado, proporciona realizações. “Se o dinheiro causa discórdias, insônia, doenças somáticas, o problema não é o dinheiro, é a má administração. Isso vale para falta ou para sobra de dinheiro.”

Uma boa dica é utilizar a boa e velha planilha, fazendo duas colunas, uma do débito e outra do crédito. Para Thiago Nigro, ao cuidar sempre das finanças pessoais, consegue-se preparar para não enfrentar problemas financeiros futuros. “Digo isso, pois devemos ter um fundo de reserva para cada plano – e cada risco – de nossas vidas. Porém, se ainda não fizemos isso, o ideal é quitar todas as dividas possíveis, ou caso não seja possível, alongar o máximo possível, e adiantar o pagamento quando possível”.

O administrador de empresas e CEO, Luciano Mascarenhas Tavares, opina que ficar atolado em dívidas é a maneira mais rápida de destruir a chance de realizar sonhos. “Em vez de acumular patrimônio para comprar uma casa, fazer uma viagem ou criar um fundo para aposentadoria, toda a renda será comprometida para o pagamento de juros. Quem realiza um planejamento financeiro, tem muito mais probabilidade de alcançar seus objetivos de vida.

Ele acrescenta que a educação financeira do brasileiro é em geral muito baixa, e que na escola, aprende-se temas avançados em várias matérias, que muitas vezes nunca mais são utilizados depois do vestibular. No entanto, as pessoas não recebem treinamento ou formação sobre lições básicas de finanças pessoais, conceitos que 100% das pessoas terão de usar em suas vidas. “Todos nós teremos de lidar com dinheiro, independentemente da profissão escolhida”, avalia.

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