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Padre testemunha experiência missionária em tribo indígena

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Muito se fala dos povos indígenas no Brasil, mas será que temos dimensão da realidade que eles vivem? Para nos ajudar a entender essa realidade que nos parece tão distante, Padre Marcelo Magalhães, diretor espiritual da juventude do Santuário Nacional, testemunha pra nós hoje uma experiência missionária que viveu numa tribo às margens do Rio Madeira, no Amazonas.

JM: Como surgiu essa oportunidade missionária?

Pe. Magalhães: Todo ano, o Juniorato redentorista faz uma missão. E quando eu estava nessa fase, fui convidado a ir para Manaus (AM), numa missão ao longo do Rio Madeira. Eu fiquei 15 dias em uma aldeia, que ficava a 14 horas da capital. Era preciso pegar vários meios de transporte para poder chegar lá.

 

O objetivo era estar em uma comunidade indígena, viver a religiosidade deles e eles não eram católicos. Era um momento para celebrar com eles e viver a fé de uma forma diferente, era uma evangelização diferente. Foi uma experiência bem bacana de estudo de outra religião. 

JM: Qual foi a realidade que encontrou na tribo?

Pe. Magalhães: Era algo que eu nunca tinha visto na minha vida. Eles falavam nossa língua, mas tinham o próprio dialeto da tribo. Não usavam roupas. Eu dormi em rede, a água é do rio, não tem banheiro e a alimentação é completamente diferente, a mandioca é o principal alimento deles. Da mandioca se faz a farinha que é misturada ao ovo de tartaruga e depois frita. Outro prato, cozinhava-se a mandioca e se fazia uma farofa com a carne do animal que caçavam.

Várias noites eu saí para caçar. Se não cassasse, não comia. Estava muito difícil, na época, porque era período de cheia e sair para caçar sempre era uma comédia. As buscas eram catastróficas e eu acabava espantando os animais.

Uma das coisas mais bonitas que eu vi lá foi quando participei de um enterro. O cemitério era do outro lado da vila, no rio, chega a dar 50 quilômetros de uma margem a outra por conta da cheia. Eles preparam todo o corpo, colocam em uma plataforma de madeira e só o Pagé vai até o outro lado para devolver o corpo à natureza.

JM: Qual foi o aprendizado?

Pe. Magalhães: Eu tive uma impressão diferente da que geralmente temos. Era como se eu estivesse em um lugar que para o resto do Brasil “não existe”. Falta um olhar exemplar nosso em relação a esses povos. O respeito que eles têm pela natureza é muito grande. Eles retiram da terra só o que eles precisam para se alimentar, nada mais além disso.

A ida ao Amazonas foi um grande divisor de águas na minha vida. Eu encontrei mais sentido para as coisas. Aprendi que o "ter" não significa nada. Aquelas pessoas da tribo, com simplicidade, conseguem fazer com que a vida aconteça da mesma forma. Estando lá, sem nenhum tipo de comunicação, eu pude parar para olhar e refletir coisas que eu nunca tinha visto. Isso foi o mais bonito que trouxe para minha vida e tenho até hoje. Eu tinha um ritmo muito acelerado na minha vida, uma forma de querer as coisas muito rápido, até deixava de observar que as plantas, que os animais e que as pessoas existiam, que o mundo estava acontecendo. Foi uma experiência para a vida toda, nunca mais vou esquecer o que eu vivi no Amazonas.

:: Veja também: Jovem nascida nas Filipinas fala sobre missão no Brasil ::


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