A12

Deus Conosco

Fonte: Editora Santuário

22

DE Janeiro DE 2017

Domingo | 3º Domingo do Tempo Comum | ANO A

Primeira Leitura
(Is 8,23b-9,3)

Leitura do Livro do profeta Isaías:

23bNo tempo passado o Senhor humilhou a terra de Zabulon e a terra de Neftali; mas recentemente cobriu de glória o caminho do mar, do além-Jordão e da Galileia das nações.

9,1O povo que andava na escuridão viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu.

2Fizeste crescer a alegria, e aumentaste a felicidade; todos se regozijam em tua presença como alegres ceifeiros na colheita, ou como exaltados guerreiros ao dividirem os despojos. 3Pois o jugo que oprimia o povo, — a carga sobre os ombros, o orgulho dos fiscais — tu os abateste como na jornada de Madiã.

— Palavra do Senhor.

Graças a Deus!

Salmo
(Sl 26)

— O Senhor é minha luz e salvação./ O Senhor é a proteção da minha vida.

O Senhor é minha luz e salvação./ O Senhor é a proteção da minha vida.

— O Senhor é minha luz e salvação;/ de quem eu terei medo?/ O Senhor é a proteção da minha vida;/ perante quem eu tremerei?

— Ao Senhor eu peço apenas uma coisa,/ e é só isto que eu desejo:/ habitar no santuário do Senhor/ por toda a minha vida;/ saborear a suavidade do Senhor/ e contemplá-lo no seu templo.

— Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver/ na terra dos viventes./ Espera no Senhor e tem coragem,/ espera no Senhor!

SEGUNDA LEITURA
(1Cor 1,10-13.17)

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios:

10Irmãos, eu vos exorto, pelo nome do Senhor nosso, Jesus Cristo, a que sejais todos concordes uns com os outros e não admitais divisões entre vós. Pelo contrário, sede bem unidos e concordes no pensar e no falar.

11Com efeito, pessoas da família de Cloé informaram-me a vosso respeito, meus irmãos, que está havendo contendas entre vós.

12Digo isso, porque cada um de vós afirma: “Eu sou de Paulo”; ou: “Eu sou de Apolo”; ou: “Eu sou de Cefas”; ou: “Eu sou de Cristo”!

13Será que Cristo está dividido? Acaso Paulo é que foi crucificado por amor de vós? Ou é no nome de Paulo que fostes batizados?

17De fato, Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar a boa nova da salvação, sem me valer dos recursos da oratória, para não privar a cruz de Cristo da sua força própria.

— Palavra do Senhor.

Graças a Deus!

EVANGELHO
(Mt 4,12-23)

— O Senhor esteja convosco.

Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus.

Glória a vós, Senhor.

 

12Ao saber que João tinha sido preso, Jesus voltou para a Galileia. 13Deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galileia, 14no território de Zabulon e Neftali, para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: 15”Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região do outro lado do rio Jordão, Galileia dos pagãos! 16O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz, e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz”. 17Daí em diante Jesus começou a pregar dizendo: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”.

18Quando Jesus andava à beira do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Estavam lançando a rede ao mar, pois eram pescadores. 19Jesus disse a eles: “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens”. 20Eles imediatamente deixaram as redes e o seguiram.

21Caminhando um pouco mais, Jesus viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João. Estavam na barca com seu pai Zebedeu consertando as redes. Jesus os chamou. 22Eles imediatamente deixaram a barca e o pai, e o seguiram. 23Jesus andava por toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo.

— Palavra da Salvação.

Glória a vós, Senhor!

 

Recadinho: - Consegue cumprir com generosidade a missão que Deus lhe propõe? - Cite uma tarefa que Deus pede de você? - Você se considera uma pessoa generosa? - As tarefas que Deus lhe pede são muito exigentes? - Em linhas gerais, em que consiste seu apostolado?

Padre Geraldo Rodrigues, C.Ss.R

HOMILIA

Homilia do 3º Domingo Comum (22.01.17)

Pe. Luiz Carlos Oliveira

Redentorista

 

“O Reino de Deus está próximo”

A começar dos mais fracos.

Jesus inicia seu ministério na Galiléia, tendo inclusive mudado de residência, passando a viver em Cafarnaum, uma cidade mais populosa, movimentada com comércio, caminho do mar e na margem do lago da Galiléia. Jesus começa sua atividade numa região mal afamada. É chamada Galiléia dos pagãos (Mt 4,15 – Is 8,23b) . Era uma população que sofrera uma mistura de povos. Os galileus eram mal vistos. Jesus ensina até com a geografia que Deus procura os necessitados. A mentalidade de Jesus era procurar a ovelha perdida, misturar-se com os pecadores, receber publicanos e prostitutas, conversar com mulheres e crianças, estar com gente que não conhecia a lei (Jo 7,49). Era uma posição social sim, mas nascida do amor de Deus pelos abandonados. Ele ouve sempre o grito do povo que sofre a escravidão, como podemos ver no Êxodo, nos salmos, nos evangelhos etc. Notemos que, o modo de Jesus iniciar seu ministério, vai ser a maneira de conduzi-lo. Que nossa pastoral, em lugar de privilegiar os bons, procurasse os necessitados e estimulasse os “bons” para fazer o mesmo caminho. O início do ministério de Jesus é o chamado à conversão. Esta se dá no coração da pessoa, como se dá o início da pregação de Jesus: anuncia num mundo imerso em trevas para que sejam iluminados por uma nova luz. Saíram do escuro do desconhecimento para a vida nova do Reino. A conversão é a chave da missão de Jesus. Sem ela permanecem as trevas.

Passando, disse: “Segui-me”!

Jesus usa a mesma mentalidade para escolher seus apóstolos. Os apóstolos que chama são pessoas humildes e fracas, gente do povo. Ele parte dos pobres para anunciar a riqueza do Reino. Nesta escolha convoca-nos a acreditar nas pessoas e dar chance a todos de poderem exercer o seu dom na comunidade. A formação do apóstolo se dá na convivência com Jesus. Estar com Ele é o modo de aprender a ser missionário do Reino, continuar o que fazia e como fazia. Aceitar o convite é se comprometer com uma pessoa concreta. A Igreja sempre contou com ministros sagrados para as celebrações e para a pregação. A vocação consiste sempre no chamado oficial da Igreja. Para saber se o chamado se dirige a uma pessoa autêntica, é preciso saber da conversão ao Reino. Aí temos os desencantos da vocação. Se, pelo contrário, a resposta parte de um coração convertido aos valores do Reino, podemos ter certeza de um autentico chamado. Ministério não é um emprego, mas um processo permanente de conversão, sempre saindo das trevas para a luz.

 

Tudo por um Reino.

O ambiente do Mar da Galiléia é uma constante na pregação de Jesus. Jesus usa a palavra pescar quando convida os discípulos para segui-Lo. Pescar nas águas profundas significa tirar as pessoas do mar do obscuro e do desconhecimento e do abandono total. É preciso lutar, remar e se esforçar. Lançar as redes é contar com a força da palavra de Jesus. A presença de Jesus é a garantia de boa pesca no lago profundo do mundo. Assim somos convocados a segui-Lo, estar com Ele e com Ele exercer a missão. Esta missão é a chamada à conversão para que o Reino de Deus se estabeleça entre nós. Por isso Paulo diz na carta aos Coríntios que todos são de Cristo. Não temos partidos. A Eucaristia nos põe em missão, como Jesus. Não podemos nos acomodar com as estruturas da Igreja e dizer que sempre foi assim. É necessário ver se essa estrutura corresponde ao que se necessita no momento. É preciso sempre voltar à fonte saindo das trevas para a Luz que é Jesus e seu Reino. Jesus continua passando e chamando. Quer um mundo que se renova.

Leituras: Is 8,23b-9,3; Sl 26; 1Co 1,10-13.17; Mt 4,12-23

Ficha nº 1616

- Jesus inicia sua missão nas trevas da Galiléia para conduzi-la à luz através da conversão.

- Os apóstolos farão o mesmo caminho. Para quem segue Jesus é preciso o comprometimento da conversão.

- Somos convocados a seguir Jesus, estar com Ele e com Ele exercer a missão.

O que não brilha pode ter ouro.

No garimpo se luta por uma pedrinha dourada. O que não fazem para encontrá-la? O que não serve vai sendo jogado fora. Jesus começou o contrário. Viveu na Galiléia dos gentios, quer dizer, pagãos. Era uma terra meio pagã. Na destruição de Samaria, capital do reino do Norte (721 AC), os judeus são levados para Nínive e em seu lugar são trazidos estrangeiros pagãos. Assim se misturam. Acabam por ser meio judeus e meio pagãos. Por isso os samaritanos e judeus legítimos estarão sempre em briga.

Jesus escolheu gente dali para ser discípulo seu. Eram muito humildes e simples. Jesus conhecia o valor daquela gente e sabia escolher o que iria brilhar. Os judeus diziam: pode vir alguma coisa de Nazaré (Jo 1,46)? Era da Galiléia. Nenhum profeta viera da Galiléia (Jo 7,52). Maria e José eram simples. Jesus igualmente, pois admiravam sua sabedoria, tendo vivido ali. Os sumos sacerdotes se admiraram dos apóstolos serem tão firmes em suas palavras, sabendo que eram iletrados.

O profeta Isaias anuncia um tempo novo. “O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte uma luz resplandeceu” (Is 9,1).

Jesus era essa luz: “O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz” (Mt 4,16). Estamos no início da pregação de Jesus que escolhe seus discípulos à beira mar para serem os libertadores dos homens das profundas trevas. Somente conhecendo o sofrimento podemos saber ajudar na libertação.

Os pobres são os herdeiros das promessas de Deus e recebem também a missão de levar a outros as notícias da conversão. Os pobres, para Mateus, são todos os que se abrem à riqueza de Deus e vêem o mundo com os olhos de Deus.