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Igreja na América Latina: as estruturas da Igreja

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Páginas de História da Igreja na América Latina
Parte 33

As estruturas da Igreja 

O século XIX representou para a América Latina o tempo da luta pela independência e formação das novas nacionalidades. Em quase todas as regiões muitos membros da Igreja se engajaram nos movimentos que lutavam pela autonomia e, mesmo entre nós no Brasil, membros do clero participaram ativamente da luta pela independência.

Na quase totalidade dos novos países que se formaram em nosso continente a dependência colonial foi substituída pelo Regime Republicano que tardiamente, quase no fim do século XIX foi também implantado no Brasil. Com as mudanças políticas também as estruturas eclesiásticas tiveram que mudar e se adaptar à nova situação, a começar pelo episcopado. 

Colégio da Imaculada e igreja em Fortaleza no final do século 19 (reprodução)

Um episcopado dividido

Os membros do episcopado ficaram a princípio bastante divididos entre a fidelidade ao rei e à fidelidade à Igreja.

Uma carência que sempre se notou em nosso continente foi o reduzido número de estruturas eclesiais em vista da imensidão de nossas terras. Ainda hoje o número de dioceses é insuficiente para atender todas as necessidades pastorais da América Latina. No momento da independência na América Latina só existiam 07 arquidioceses e 34 dioceses, no Brasil eram apenas 6 dioceses. A diocese de Mariana, por exemplo, tomava todo o estado de Minas Gerais, parte de Goiás e fazia limites com São Paulo.

Ao concluir o processo da emancipação a estrutura de Igreja estava desarticulada. Muitas dioceses ficaram vagas por várias décadas. Somente a partir da década de 20 é que começa a reorganização. Com o fim da Lei do Padroado aqui no Brasil já no período republicano a Igreja precisou aprender a trabalhar com a liberdade adquirida.

 

"Entre 1830 e 1900 foram criadas quase 70 novas sedes episcopais. Os países melhor servidos eram o México e o Brasil".

A partir de 1820 começou o processo de reorganização e restauração. Entre 1830 e 1900 foram criadas quase 70 novas sedes episcopais. Os países melhor servidos eram o México e o Brasil. Como o padroado espanhol caducou em 1830 tudo ficou mais fácil. Mas a criação de dioceses dependia muito do interesse dos governos. Por outro lado, a diocese constituía uma questão de prestígio e afirmação nacionalista. Mas neste campo havia muitos problemas como as grandes extensões das dioceses, sendo todas elas macro-dioceses. Havia ainda a dificuldade de comunicação e viagem por causa da precariedade dos meios de transporte e por causa das grandes extensões do território.

Somente em 1905 se criou o primeiro cardeal na América Latina, o brasileiro Arcoverde. 

O clero

Em nosso continente, bem como no Brasil sempre se realça a importância do clero e de sua ação na constituição do catolicismo no país e na América Latina. Ainda hoje podemos pensar no que representa um pároco em uma paróquia, sobretudo nas regiões e cidades do interior. Ele é formador de opinião.

Assim como no caso do episcopado muitos sacerdotes participaram de atividades político-legislativas com ou sem consentimento do bispo diocesano. O clero participou da sorte da Igreja nos momentos de perseguição.

Mas aqui também se notavam alguns grandes problemas: havia os malefícios do isolamento para aqueles padres que moravam no interior. No campo da política, muitos apoiavam o liberalismo e, por outro lado, constantemente as autoridades eclesiásticas eram chamadas a resolver os problemas morais, especialmente aqueles ligados ao não cumprimento do celibato.

A cada década do século XIX se tornava maior a desproporção entre o número de sacerdotes e o tamanho da população. Em todo o continente, em 1810, havia um sacerdote para 640 católicos, num total de 25 mil sacerdotes que era praticamente o que hoje existe de sacerdotes para atender os mais de 220 milhões de habitantes do Brasil. Em 1900 havia um sacerdote para 4.000 pessoas, num total de 14.800 sacerdotes.

Entre os motivos apontados para tamanha redução do número de sacerdotes podemos apontar: uma pequena percentagem voltou à Espanha quando os países começaram a se libertar, mas havia ainda a perseguição à Igreja com expulsão, fechamento de seminários e proibição das ordens religiosas receberem noviços, condenando as congregações e ordens religiosas a uma morte lenta.

historia
Mural retrata o movimento liderado por Miguel Hidalgo (ao centro)
que deu início ao processo de independência do México.

A Paróquia

Na última década do século XIX nas 104 dioceses latino-americanas o número de paróquias chegava a 5.900 mais ou menos.

No campo da pastoral, sobretudo, na atividade paroquial ordinária as dificuldades eram quase que as mesmas que se sentia em relação ao episcopado: as grandes extensões da paróquia e as dificuldades de comunicação e transporte. Como acontece ainda nos dias de hoje, muitas paróquias eram maiores que algumas dioceses da Europa.

Além do mais, a situação geral do povo e seu estado de pobreza também complicavam, pois faltavam recursos para a manutenção do templo, da casa paroquial e das necessidades do culto. Isto explica, ao menos em parte, a grande dependência do clero e da Igreja em relação aos poderes constituídos.

Paralelo a isso, havia a falta de clero, pois seu número sempre foi insuficiente para tamanhas necessidades, além do que não se pode negar a existência de vícios no clero existente. Sua formação deixava muito a desejar em vários países, pois a estrutura também era bastante precária.

Muitos padres participaram da política como legisladores e ajudaram na elaboração de constituições regalistas ou votaram pela expulsão de bispos. Outros confundiam suas funções na política com a pastoral e vice-versa.

Mas havia os bons sacerdotes e seu número era e é sempre superior. Esses se dedicavam com zelo pastoral e abnegação ao serviço pastoral do povo e resistiam às perseguições com heroísmo. 

Os religiosos

A presença das ordens religiosas e seu imenso contributo na evangelização continuavam no século XIX. No tempo da emancipação havia cerca de 590 conventos.

Mas o processo de independência, assim como havia ocorrido com outros setores da Igreja também trouxe uma forte crise: aqui também ocorreu a redução de seu número, houve o fechamento de casas e conventos, confisco de bens e obras de arte, especialmente nos países onde o processo de independência de implantação do liberalismo foi mais hostil à Igreja.

Galicanismo
Os novos estados liberais que surgiram na América queriam condenar a Igreja a uma morte lenta. 

O processo de extinção das ordens religiosas sempre começava com a secularização de seus bens. Se por um lado havia a degradação interna da vida religiosa, por outro lado havia a intromissão do governo civil e do poder secular na vida religiosa

Em meados deste século teve início o processo de revitalização das ordens religiosas. Os jesuítas começaram a retornar a partir de 1836, a Santa Sé passou a intervir na vida religiosa para dissipar os abusos, realizando ainda a promoção do clero nativo. Paralelo à reforma das ordens antigas na segunda metade do século XXI começam a chegar novas ordens, entre elas a dos Missionários Redentoristas que chegou primeiro à Colômbia e depois ao Brasil, em 1984.

Colunista padre Inácio


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