ANO LITÚRGICO A
A PALAVRA: DOS OUVIDOS AO CORAÇÃO!
“Quem subirá até o monte do Senhor, quem ficará em sua santa habitação?” Eis a resposta: “Quem tem mãos puras e inocente coração, quem não dirige sua mente para o crime”.
“Monte do Senhor”, “sua santa habitação” é Jerusalém, o templo de Deus na terra. Mas pode também ser o céu, a eterna morada de Deus, onde espera acolher a humanidade para a feliz eternidade com Ele.
Assim, hoje celebramos aqueles, dentre nós, que já chegaram lá e esperam por nós, ainda peregrinos na terra, para um dia estarmos todos na Jerusalém do alto, a mãe da inteira humanidade.
Ninguém ausente é o que deseja o Pai. Doze simboliza a totalidade, e Ele já nos faz ver lá 12 mil de cada uma das 12 tribos de Israel: de seu primeiro Povo, todos presentes. E, da restante humanidade, uma multidão imensa de todas as nações, que “ninguém podia contar”, também sem nenhuma ausência.
Eram uma multidão única “de pé”, vitoriosa, prostrando-se diante do trono do Pai e do Cordeiro. Com vestes brancas, a cor divina, traziam palmas nas mãos, eram mártires. Vieram da “grande tribulação”, lavaram e alvejaram suas roupas no sangue do Cordeiro. Sangue derramado por amor é o que há de mais divino e mais puro.
Eles acolheram o “grande presente de amor” do Pai, são chamados “filhos de Deus” e vivem como tais.
São o verdadeiro Povo de Deus que Jesus, o definitivo Moisés, constitui a partir da plena libertação. “Vendo Jesus as multidões” – como que saindo do Egito, e aos pés do Sinai, a iniciar a caminhada até a Terra Prometida – “subiu ao monte e sentou-se”: vai ensinar com autoridade.
E propõe a Aliança: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus”. Para eles, Deus é tudo. Esvaziaram-se de si, fizeram-se pobres de seus projetos, de seus espíritos, para serem um vazio a ser preenchido só por Deus e seus planos.
Jesus é o modelo, “bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim”. Ele é o “pobre em espírito”, o vazio de si e pleno do Pai e de sua vontade.
Pelo Pai e a nossa salvação, a grande paixão do Pai, Ele padece, enfrenta a cruz, o sepulcro. Mas o Pai coroa fidelidade tão filial, ressuscita-o dos mortos. Ele sobe ao céu, senta-se à direita do Pai como juiz dos vivos e mortos.
E garante que todos que o seguirem na mansidão, na fome e sede de justiça, na misericórdia, na pureza de coração, na luta pela paz, terão idêntica sorte gloriosa. Então, valem as injúrias, perseguições, “todo tipo de mal” por causa dele.
Pe. Domingos Sávio da Silva, C.Ss.R.
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