ANO LITÚRGICO A
A palavra: dos ouvidos ao coração!
O povo já estava na Terra Prometida. Mas Deus não queria que esquecesse a lição que recebera desde a libertação do Egito até ali. No deserto, várias vezes revelava o que tinha no coração: vivia só de pão e para o pão, buscava só satisfações terrenas.
Assim, Ele os humilhou, os fez passar fome e os nutriu com o maná, tentando ajudá-los a descobrir um alimento mais profundo, viver os mandamentos, a Aliança, “a palavra que sai da boca do Senhor”.
Sem esse passo, viveria o Egito nesta Terra que recebera em função apenas de panelas cheias, quando facilmente entram como temperos a injustiça, a soberba, a insensibilidade fraterna, a exclusão de alguns etc.
Jesus propõe esse algo mais que o Pai quer ver em cada coração: “assim como o Pai tem a vida em si mesmo, assim concedeu ao Filho ter a vida em si mesmo” (Jo 5,26), e “se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes seu sangue, não tereis a vida em vós”.
Ter a vida em si é ser fonte dela, o que, então, pertence ao Pai, dom que o Pai concede ao Filho, e o Filho partilha com os comungantes de seu corpo e sangue. Assim, quem come a carne e bebe o sangue de Jesus tem a vida eterna, a vida do próprio Deus. E tem essa Vida-fonte-de-vida, porque a carne de Jesus e seu sangue são “comida” e “bebida”, ou seja, são fonte que sacia fome e sede.
E participamos dessa Vida-fonte também porque, ao recebê-la, Jesus-eucaristia permanece em nós e nós nele, como o Tronco nos ramos; e estes, no Tronco.
E Jesus mostra que o Pai de fato vive, tem essa Vida-fonte-de-vida, porque Ele-Jesus vive “por causa do Pai”, vive do Pai. E a Ele o Pai concedeu essa sua mesma vida, porque quem o comunga vive por causa dele, vive dele. Assim, igualmente provamos que temos essa Vida-fonte, a vida eterna, se alguém está vivendo por causa de nós, se estamos sendo fonte-de-vida a alguém, se nos tornamos para o próximo o que Jesus é para nós, Eucaristia-fonte-de-vida.
É o que Paulo nos afirma: “O cálice da bênção, o cálice que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? E o pão que partimos, não é comunhão com o corpo de Cristo?” Que maravilha! Pela comunhão, nosso corpo e sangue vão se tornando sempre mais como o Corpo e Sangue de Jesus.
É, ou pode ser, tão grande nossa transformação, que torna-se possível este difícil fruto da Eucaristia: nossa união com Jesus e, a partir dela, nossa plena união entre nós, superando barreiras e oposições. “Porque há um só pão, nós todos somos um só corpo, pois todos participamos desse único pão”.
Pe. Domingos Sávio, C.Ss.R.
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