ANO LITÚRGICO A
A PALAVRA: DOS OUVIDOS AO CORAÇÃO!
Alguém que tem amor pode, em algum momento, não o ter e, assim, não o praticar, o que é o nosso caso. Mas, felizmente, essa não é a realidade de Deus. Por sua Palavra (1Jo 4,8), garante-nos que Ele é amor. Assim, se uma única vez Ele não amasse, deixaria de ser Deus e se rebaixaria a se igualar a nós, que ora temos amor, ora não.
Essa sua divina sublimidade Ele sempre quis partilhar conosco. Já nos criou com a possibilidade de sermos imagem sua e de agirmos segundo sua semelhança, de vivermos real filiação sua; enquanto filhos e filhas, agirmos igual a Ele.
É o que Jesus parece nos propor no Evangelho de hoje. Fariseus, em nova armadilha que lhe tramam, interrogam-no: “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?”.
Para lhes desmascarar a hipocrisia maldosa, serve-se da Escritura, que eles também tinham em mente em sua armadilha. Pois se respondesse apenas com a Escritura, “amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento!”, teria caído no laço e lhe atirariam no rosto. Por que essa sua mania de amar a todos os humanos, até os mais desprezíveis e menos merecedores de atenção, como pecadores conhecidos, prostitutas?
Se, por outro lado, ainda com a Escritura, dissesse só isto: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”, também estaria no laço. Iam refutá-lo: “E onde fica o seu Deus a ser amado com todas as forças?”. E Jesus ainda completa: “Toda a Lei e os profetas” – que eles tanto prezavam – “dependem desses dois mandamentos”.
Que maravilha! Deus se vê amado por um coração humano se esse coração ama igualmente seu semelhante, seja ele quem for. Deus é amor e, se amar é fundamentalmente fazer o bem, Ele ama ou faz o bem seja a quem for, e isso espera de quem decide se fazer semelhante a Ele enquanto filho ou filha.
Ainda no seu Povo, considera especial o pobre, o mais necessitado: “Se emprestares dinheiro a alguém do meu povo, a um pobre que vive ao teu lado...”. Na gratuidade, o amor ama a todos, mas com especial compaixão a quem vê como mais necessitado.
Com coração divinizado, façamos ao próximo o que ansiamos seja feito a nós. Ponhamo-nos na condição do necessitado, e como ansiaríamos que alguém fosse por nós! Tomemos cuidado, pois Deus-Amor assume como sua a causa da viúva, do órfão, do necessitado. Se lhes fizermos o mal ou deixarmos de lhes fazer o bem, omissão ou indiferença que tantas vezes é o pior mal, Ele nos dirá: “Se os maltratardes, gritarão por mim e eu ouvirei o seu clamor”.
Pe. Domingos Sávio da Silva, C.Ss.R.
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