ANO LITÚRGICO A
A palavra: dos ouvidos ao coração! A palavra: dos ouvidos ao coração!
“O pecado entrou no mundo”, trazendo consigo a morte, e esta passou a todos “porque todos pecaram” (Rm 5,12). E “o pecado é iniquidade” (1Jo 3,4). E a iniquidade é o oposto da bondade, o total desconforto diante do bem, frente àqueles que o praticam.
É o que Jeremias experimenta: as injúrias que lhe fazem, as armadilhas que lhe armam na esperança de que caia num engano “e nós poderemos apanhá-lo e desforrar dele”. Buscam apagar aquela voz, mas que é a voz de suas próprias consciências, gritando-lhes que estão no erro, que os desqualifica e os desaprova por completo.
É o alerta que Jesus deixa àqueles que decidem segui-lo. E ainda os encoraja para a batalha. Sim, não tenham “medo dos homens”, do mal que lhes fizerem, mesmo com aparência de bem, pois “nada há de escondido que não seja conhecido”. Jamais temam a verdade!
O que Jesus lhes diz na amizade e intimidade, “na escuridão”, que proclamem “à luz do dia... sobre os telhados”, como Ele mesmo o fará, diante da multidão tomada de ódio mortal por Ele e frente àquele que se dizia capaz de o salvar ou de o mandar para a cruz. Ele queria tão somente ser fiel ao Pai e, assim, a nós, num amor invencível.
Como Ele, não temessem quem podia matar apenas “o corpo”, mas sem força de “matar a alma” e de “destruir a alma e o corpo no inferno”. Isto é, temessem tão somente a si mesmos, sua covardia ou medo, únicas forças capazes de levá-los a romper com Deus e com seu projeto de vida, optando então pelo anti-reino de Deus, a “segunda morte” do Apocalipse, a única que, de fato e plenamente, merece o título de morte.
E força a toda prova, para essa fidelidade à vida, Jesus também a garante: é o Pai que, muitíssimo mais que nós mesmos, não admite por nada perder um de nós, enquanto depender dele, pois a “segunda morte”, a eterna tristeza, longe de Deus, longe da vida, só a experimenta quem a escolhe, na contramão dos desígnios, do coração do Pai celeste.
Se Ele cuida de pardais que valem “algumas moedas”, não deixando que nenhum deles caia no chão sem seu consentimento, como não cuidará de nós, que valemos “mais do que muitos pardais”, a ponto de ter contados até os cabelos de nossas cabeças?
Então, protegidos por essa couraça, vamos nos declarar, seja a que preço for, a favor de Jesus, e assim também do Pai, diante dos homens, para que Ele-Jesus se declare a nosso favor diante de seu e nosso Pai “que está nos céus”!
Pe. Domingos Sávio, C.Ss.R.
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