ANO LITÚRGICO A
A PALAVRA: DOS OUVIDOS AO CORAÇÃO!
Que maravilha! Aquele sonho de Jó, que é de todos nós humanos e mortais, Jesus ressuscitado o realiza plenamente. Jó ansiava que suas palavras fossem escritas e gravadas e cravadas na rocha para sempre.
Que palavras? “Eu sei que o meu redentor está vivo e que, por último, se levantará sobre o pó; e depois que tiverem destruído esta minha pele, na minha carne, verei a Deus. Eu mesmo o verei, meus olhos o contemplarão, e não os olhos de outros”. Jó professa sua fé no Ressuscitado e, assim, também em nossa ressurreição.
Sim, “se Jesus morreu e ressuscitou, de modo semelhante Deus trará de volta, com Cristo, os que através dele entraram no sono da morte”. “O último inimigo a ser destruído é a morte”, e Ele a destruiu. Ela não o dominou por completo. Ele entrou “no sono da morte”, por três dias, então o Pai o acordou para nunca retornar àquela experiência.
E seus discípulos, com Ele, fazem a mesma experiência. Lázaro era discípulo e Jesus diz dele: “Nosso amigo Lázaro está dormindo, mas vou despertá-lo” (Jo 11,11). Morte mesmo é o que o próprio Deus chama de “segunda morte” (cf. Ap 20,14; 21,8). De fato, morre quem, consciente e maldosamente, rompe com Deus e rejeita seu caminho de vida para nós. Na Prece Eucarística II, pedimos ao Pai que se lembre de nossos irmãos “que adormeceram na esperança da ressurreição”.
Todo segredo é estar com Jesus, ser parte de seus discípulos, pois Ele “ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram”. Este é o primeiro fruto que, de certo modo, arrasta para junto de si todos os demais. É vivermos total união vital com Ele, como membros unidos à cabeça: entrarmos com Ele no sono da morte para com Ele igualmente sermos ressuscitados pelo Pai para a plena vida divina. Mas essa divina realidade nós já temos, e devemos vivê-la a partir e por força de nosso batismo.
Ainda uma vez o sonho de Jó e de todos nós mortais: “Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei. Estais comigo com bastão e com cajado, eles me dão a segurança... na casa do Senhor, habitarei pelos tempos infinitos”.
Uma nova condição para acolhermos esta tão desejada imortalidade é estarmos em constante vigilância e em vigília, à espera de Jesus, “o Filho do Homem”, que, na hora conhecida apenas pelo Pai, virá até cada um de nós e nos levará a seu sono de morte, em vista de imediata volta com Ele à vida, não mais passageira e mortal, mas já à vida eterna, à vida que Ele com o Pai e Espírito vivem desde sempre e tanto desejam partilhar com a inteira humanidade.
Pe. Domingos Sávio da Silva, C.Ss.R.
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