ANO LITÚRGICO A
A palavra: dos ouvidos ao coração!
“Vós sois justo, na verdade, ó Senhor... Conforme o vosso amor, tratai-me”. Que maravilha, Deus é justo porque sempre parte de si mesmo, e Ele é Amor. Jamais parte de nossas fraquezas, em suas atitudes para conosco. Trata-nos sempre conforme seu amor.
E essa maravilha ele nos propõe e espera de nós. Na oração antes das leituras, pedíamos que olhasse, com bondade, para nós, seus adotados filhos e filhas, a nós que cremos no Cristo. Crer em Jesus é assimilar a Ele, o Filho amado do Pai, quem como ninguém revelou aquele divino coração paterno. E assim, nos concedesse “a verdadeira liberdade e a herança eterna”.
Assim, a nós discípulos, Jesus propõe, em relação ao irmão que pecar contra nós, antes de tudo, que continuemos a tê-lo como irmão, “se teu irmão pecar...”. Seu pecado não lhe destrói a identidade, é meu irmão. E que unicamente o corrijamos para o ganhar de volta.
Se a sós não conseguirmos ganhá-lo, somemos forças de mais um ou dois irmãos, ou até da Igreja. Se, mesmo assim não conseguimos, consideremo-lo um pagão ou pecador público, alvo privilegiado da ação missionária dos discípulos: “ide e fazei discípulos todos os povos” (Mt 28,19).
Seus discípulos procuram ligar na terra, e assim também no céu, quem ainda está desligado, fora do caminho da vida. Sim, Deus, nosso Salvador “quer que todos os homens sejam salvos” (1Tm 2,4).
O grande acordo que sempre devemos buscar entre ao menos dois de nós na terra, é estarmos reunidos no nome ou pessoa de Jesus, garantindo sua presença entre nós. Pois essa presença nos assegura que o Pai dará o que Lhe pedirmos. E o que não podemos deixar de suplicar é sua força para assim conseguirmos religar aquele irmão tão resistente. Pois Jesus, a encarnação daquele coração divino, é o Filho amado que o Pai envia, não para condenar, “mas para que por meio dele o mundo seja salvo” (Jo 3,17).
Deus nos constitui “vigia” para o irmão que está no erro. Envia-nos para o advertir em seu nome, em sua pessoa. Se não o advertirmos, e ele “morrer por própria culpa”, Deus nos pedirá contas da morte daquele irmão.
Paulo nos centraliza nesse essencial, no divino que nos chama a viver: “não fiqueis devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo, pois quem ama o próximo” – seja ele quem for, em qual condição se encontre em relação a nós – “está cumprindo a Lei”. “O amor não faz nenhum mal contra o próximo”. “O Amor” – isto é, Deus; isto é, o Filho de Deus encarnado, então também nós seus adotados filhos e filhas –não faz nenhum mal” ao outro!
Pe. Domingos Sávio da Silva, C.Ss.R.
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