ANO LITÚRGICO A
A PALAVRA: DOS OUVIDOS AO CORAÇÃO!
Deus quer plantar seu Reino, sua divina vida, no coração do mundo! Alegra-se ao ver algum bem sendo feito, seja por quem for. Ciro era rei persa e fez algo bom pelo Povo escolhido, o que bastou para o chamar “seu Ungido” alguém que deixou-se mover por seu Espírito. Ciro abrira as portas, destrancara os portões de Babilônia, libertando o Povo de Deus para retornar à sua terra.
Embora sobre alicerce de hipocrisia, seus adversários reconhecem a grandeza única de Jesus: “Sabemos que és verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus. Não te deixas influenciar pela opinião dos outros, pois não julgas um homem pelas aparências”.
Palavras verdadeiras em si, mas a bela aparência esconde o veneno maldoso do coração. De fato, era prefácio desta armadilha que armam para Jesus: “É lícito ou não pagar imposto a César?”.
Se respondesse apenas com um “sim”, Jesus aprovaria o Império romano tão maldoso, principalmente com os mais necessitados, pondo-se assim contra o povo que tanto defendia com suas palavras. Com um simples “não”, Ele se oporia diretamente à mesma autoridade, seria tido como rebelde e presa fatal facílima das garras do Império.
Jesus pede que lhe mostrem uma “moeda do imposto”. E, interrogados a respeito, dizem que a inscrição da moeda era “de César”. Jesus lhes desmonta a hipocrisia: “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”.
Que eles aprendam e vivam: toda sociedade na terra (civil, comunitária, religiosa, familiar) necessita de “César”, de uma autoridade que honre a si mesma, que leve seus súditos a crescerem, a desenvolverem-se e que lhes esteja a serviço.
E Deus, enquanto princípio de todo bem e negação de todo mal, não pode ser dispensado por nenhuma autoridade que se instaure na terra. Nossa estadia aqui, por mais longa que seja, é brevíssima. Após isso, a eternidade com Deus e com sentido, ou sem Ele e buscando-se o vazio. Ele já tem de ser levado em conta aqui.
Jesus veio viver a eternidade aqui, como Primogênito e modelo nosso: passa a vida fazendo o bem e conclui sua missão no retorno junto ao Pai, retomando a eternidade feliz. Fariseus e herodianos façam-se estritos seguidores dele e escapem da própria hipocrisia!
São Paulo nos sintetiza esse caminho, vendo-o já buscado pelos tessalonicenses, “irmãos amados de Deus”, “do número dos escolhidos”. Como eles, vivamos uma fé atuante na caridade, firmada na esperança em Jesus, que nos atrai para a plenitude que vive com o Pai e o Espírito. Assim seja, amém.
Pe. Domingos Sávio da Silva, C.Ss.R
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