Por Pe. André Gustavo de Sousa Em Igreja Atualizada em 22 MAR 2019 - 09H28

Dia Mundial da Água: 'Água e Desenvolvimento Sustentável'

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Este artigo é uma reflexão sobre um tema amplamente discutido nesta última década. Tema essencial para nossa vida: a água! Quem de nós não tem acompanhado os noticiários sobre as secas de rios e mananciais, o consumo exagerado desse bem, até mesmo de meios para punir o uso irresponsável, como, por exemplo, multa pelo seu desperdício, etc?  Como cristãos devemos refletir e rever nossa postura em relação ao bem natural mais importante para nossa sobrevivência:
a água. Alguém poderia perguntar: o que a Igreja tem a ver com essa questão?

A Igreja, enquanto sacramento de salvação, se destina à pessoa humana, que vive no mundo e que precisa dele, em sua realidade temporal e material. Isso mesmo, necessitamos de muitos recursos para viver. Portanto, como Igreja, precisamos enfrentar os desafios ambientais e sociais que a realidade nos apresenta e nos conscientizar sobre o uso da água para garantir que ela permaneça fonte de vida para todos. 

Já no ano de 2004, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, nos apresentava a Campanha da Fraternidade, sobre a água, cujo tema era: Fraternidade e Água, e o lema: “Água, fonte de vida”.

“ é urgente unirmos forças pela salvação desse recurso natural, ou seja, pela salvação da própria humanidade. A água é sagrada.”

Essa campanha tinha como objetivo geral “conscientizar a sociedade que a água é fonte da vida, uma necessidade de todos os seres vivos e um direito da pessoa humana, e mobilizá-la para que este direito à água com qualidade seja efetivado para as gerações presentes e futuras”. (cf. Texto-Base, CF 2004)

Quinze anos depois, o tema permanece tão oportuno para nossa reflexão, pois se constatarmos a realidade milhões de pessoas não dispõem de condições de vida digna pela falta desse recurso natural. Enfim, é urgente unirmos forças pela salvação desse recurso natural, ou seja, pela salvação da própria humanidade. A água é sagrada.

Já nos ensina as Sagradas Escrituras, no relato da Criação (cf. Gn 1 – 2), que o Espírito de Deus pairava sobre as águas e a partir daí a vida passou a existir. Bem sagrado que faz viver e que santifica. Na criação, Deus submeteu todas as suas criaturas ao cuidado da humanidade, que criada à sua imagem e semelhança é chamada a ser co-criadora, cuidando, utilizando, administrando corretamente os bens que Ele nos deu. 

Mas na prática, não é bem assim que funciona. O ser humano, movido pelos interesses gananciosos e egoístas, não tem feito bem à natureza. Basta olharmos a triste realidade de desmatamentos que prejudicam as fontes de água. Atualmente a escassez de água se deve também a essa triste realidade e isso atinge a todos, pobres e ricos. A população brasileira desperdiça até 45% de sua água, segundo informa a Organização Mundial de Saúde (OMS).

O problema da escassez de água doce nos atinge diretamente, embora nosso país possua os biomas mais diversificados, com a riqueza e beleza da flora e da fauna. Mas aqui, além dos desmatamentos, da poluição, o grande vilão dessa crise é o desperdício. Somos Leia MaisLíderes de mais de 150 países estão no Fórum Mundial da ÁguaVaticano adota medida para evitar desperdício de águanós os principais protagonistas dessas tragédias naturais.

“A ONU já alertou: se não houver mudanças de hábitos no curto prazo, até 2030 quase metade da população global terá problemas de abastecimento - sem contar as 768 milhões de pessoas que já não possuem acesso à água potável e podem ficar em situação ainda mais complicada.”

Devemos refletir seriamente, seres humanos e cristãos que somos sobre a urgência de nossa conversão em relação ao uso da água. Mudar a mentalidade e o nosso estilo de vida, partindo do princípio de corresponsabilidade no uso dos bens naturais, no uso da água. Embora seja muito importante, não basta somente rezar pedindo chuva.

É hora de sermos protagonistas de uma sociedade transformadora, empenhar nossos esforços na construção de um mundo mais justo e fraterno, de uma sociedade que se preocupa com o futuro da humanidade e do planeta e que torna realidade o sonho de Deus que tudo criou por amor, para a felicidade e para a vida. 

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O que você tem feito para colaborar no uso consciente e responsável da água? Há muitas possibilidades de contribuir, começando em casa.  Veja essas dicas:

Dicas de Economia da Água 

Verifique vazamentos em canos e não deixe torneiras pingando. Um gotejamento simples, pode gastar cerca de 45 litros de água por dia.

Deixe pratos e talheres de molho antes de lavá-los.

Aproveite a água da chuva para aguar as plantas e o jardim. As plantas absorvem mais água em horários quentes, então molhe-as de manhã cedo ou no fim do dia.

Feche a torneira quando estiver escovando os dentes ou fazendo a barba. Só abra quando for usar. Uma torneira aberta por 5 minutos desperdiça 80 litros de água.

Em vez da mangueira, use vassoura e balde para lavar pátios e quintais. Uma mangueira aberta por 30 minutos libera cerca de 560 litros de água.

Reaproveite a água da sua máquina de lavar para lavar a calçada.Saber ler o hidrômetro é muito simples e pode ajudar a detectar problemas como vazamentos, percebidos pelo consumo fora do normal.

Não tome banhos demorados, 5 minutos são suficientes. Uma ducha durante 15 minutos consome 135 litros de água.

Antes de lavar pratos e panelas, limpe os restos de comida com uma escova ou esponja e jogue no lixo.

“A sociedade estará empenhada numa séria reflexão, no dia mundial da Água, 22 de Março. Celebrado desde 22 de março de 1993, o Dia Mundial da Água foi recomendado pela ONU durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Eco-92, no Rio de Janeiro. Desde então, as celebrações ao redor do mundo acontecem a partir de um tema anual, definido pela própria Organização, com o intuito de abordar os problemas relacionados aos recursos hídricos. Entre os temas já escolhidos para a data estão: água e energia, cooperação pela água, água e segurança alimentar, águas transfronteiriças, saneamento, água limpa para um mundo saudável, lidando com a escassez de água e água para as cidades: respondendo ao desafio urbano.” 

Vamos acompanhar essas reflexões e rezar  para que as medidas sejam realmente assumidas para o bem de toda humanidade. Vamos mover nossas comunidades e toda sociedade para essa reflexão e assumamos também nós, atitudes concretas e posturas coerentes que ajudem a cuidar e utilizar da água com amor, respeito e compromisso com a vida. 

Escrito por
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Pe. André Gustavo de Sousa

Sacerdote da Arquidiocese de Aparecida (SP) , coordenador de Pastoral e Pároco da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, em Guaratinguetá (SP).

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