Por Marcus Eduardo de Oliveira - Redação A12.com Em Mundo Atualizada em 27 NOV 2017 - 09H37

Temperatura média atual é a maior em 12 mil anos

A nossa espécie humana não é eterna. Por sinal, não há nenhuma espécie eterna. Um dia, daqui há bilhões de anos, o Sol deixará de existir, e enquanto não descobrirmos e colonizarmos outros planetas – se é que isso um dia irá acontecer -, nós também deixaremos de existir.

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A questão central é que, o que poderá levar bilhões de anos para acontecer, pondo fim à nossa existência, se não tomarmos os devidos cuidados abreviaremos esse prazo.

O que nos resta diante disso? Resta-nos, pelos dias que correm, cuidar bem deste Planeta que por enquanto nos abriga.

Cuidemos da Terra, da Casa Comum (Gaia) que nos oferta todos os recursos para nossa sobrevivência e, não obstante a tudo o que nos oferece, continua sendo constantemente agredida por mãos humanas, configurando o que os especialistas tem chamado de “Período Antropoceno”, vale dizer, “período” em que o animal homem passou a agredir à natureza numa escala sem precedentes.

À título de ilustração, vale comentar que apenas uma de nossas ações, pouco cuidadosas para com Gaia, tem promovido cada vez mais “aquecimento” à Terra, comprometendo sobremaneira a qualidade e as chances das vidas humanas sobreviverem.

É sobre o “aquecimento”, pois, que devemos lançar toda nossa preocupação para reverter tal situação. O que parece ser discurso retórico, ganha cada vez um tom de dramaticidade.

“Desde o início dos anos 1980”, observa Eduardo Giannetti, “o número anual de tempestades no planeta mais que dobrou e o de ondas de calor e inundações mais que triplicou; as inundações na Ásia passaram de cerca de cinquenta por década em 1950 para setecentas atualmente, enquanto os megaincêndios subiram de cerca de dois para 88 por década nas Américas no mesmo período”.

Não por acaso, nos últimos 40 anos o Planeta Terra esquentou 0,6°C o que eleva para 0,8°C o total de aquecimento anormal observado no século 20. A temperatura média atual é a maior dos últimos 12 mil anos, quando ainda nem havíamos “descoberto” a agricultura.

Estamos isolando termicamente o planeta em decorrência das concentrações de gases na camada atmosférica, impedindo assim que os raios solares, uma vez refletidos, retornem ao espaço.

A esse aquecimento fora do normal dá-se o nome de efeito estufa (pois funciona como uma estufa mesmo), e cada vez que queimamos combustíveis fósseis (maneira pela qual a economia global funciona) ou derrubamos florestas pelo desmatamento ou queimadas mais gás carbônico (CO2) mandamos pelos ares. E assim seguimos “aquecendo” o planeta, dificultando um pouco mais a vida dos humanos.

Estima-se que a cada 2 milhões de hectares desmatados ou queimados, o que ocorre anualmente na Amazônia – haja uma emissão equivalente a 200 milhões de toneladas de carbono (em cada hectare existem aproximadamente cem toneladas de carbono) - o que equivale dizer que é maior que as emissões somadas de todos os carros brasileiros, uma vez que o restante do País emite 80 milhões de toneladas por ano.

Desse modo, o Brasil participa com 4% das emissões mundiais: 1% pela indústria e comércio, e 3% pela queima de florestas na Amazônia.

Tão grave quanto isso é a emissão de metano – gás considerado 23 vezes mais agressivo que o dióxido de carbono – que a pecuária emite.

Também à título de ilustração, destaca-se que um bovino em fase adulta, somado as vezes em que arrota, chega a emitir cerca de 58 quilos desse gás por ano. Pois bem, façamos uma simples conta de matemática e veremos a gravidade disso.

O mundo conta com 1,5 bilhão de bovinos. Uma simples multiplicação desses números (58 x 1,5) nos oferece a totalização de 87 milhões de toneladas de gás metano/ano. E assim, outra vez mais, seguimos “aquecendo” o Planeta, pouco se importando se a vida humana pagará o preço desse desequilíbrio climático.

Talvez poucos se lembrem, mas o tórrido verão europeu de 2003 – o mais quente dos últimos 500 anos - levou à morte mais de 35 mil pessoas – isso mesmo: mais de 35 mil pessoas, em geral idosos, que não resistiram as elevadíssimas temperaturas de mais de 50°C em algumas regiões.

Só a França enterrou mais de 14 mil pessoas entre agosto e setembro daquele ano; a Itália, mais de 10 mil, a Alemanha, quase 7 mil e a Suíça, cujo cartão postal é a parte gelada dos Alpes, conheceu, pela primeira vez, temperaturas tropicais de mais de 40°C.

O aquecimento global, a devastação ecológica e o desequilíbrio climático têm nos mostrado a fragilidade da vida humana, lembrando-nos que não somos eternos e que, com nossas ações pouco cuidadosas para com o meio ambiente, mais próximos nos encontramos do nosso próprio fim.

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