Por Campanha dos Devotos Em Notícias

Ó abre alas, que eu quero passar!

 

Chiquinha Gonzaga, quando compôs esta famosa marchinha de carnaval, não podia sequer imaginar que, décadas depois, a folia carnavalesca, tão glamorosa nos seus inícios, com bailes de máscaras, marchinhas e diversão com a família, fosse converter-se, em muitos lugares, no momento “vale-tudo” do ano: bebidas em excesso, desregramento sexual, ânimos exaltados, violência nas ruas... Triste entretenimento e diversão que extrapola limites e coloca em risco a saúde física e moral das pessoas. Aprender o valor da diversão sadia, é isso que vamos propor neste mês no nosso artigo dedicado a você, querido jovem.

A antropologia, ciência que estuda o homem e suas expressões naturais e culturais, cunhou uma expressão interessante para afirmar a capacidade e a necessidade que temos de lazer e diversão: somos, na linguagem científica, homo ludens, ou seja, pessoas plasmadas pelo gosto prazeroso nos momentos lúdicos, onde o jogo, a arte, o riso, o ócio, enfim, o divertimento exerce papel fundamental para nosso desenvolvimento humano integral. A brincadeira tem algo de sério, afinal sem ela jamais seríamos humanos. O ser humano é o único animal que dá risadas, de si mesmo e dos outros... Diversão e entretenimento, em outras palavras, é uma coisa muito séria!

Hoje, mais do nunca, redescobre-se e valoriza-se a importância do lúdico para o desenvolvimento das crianças e, também, para a socialização e saúde dos mais crescidinhos.

Grandes empresas, preocupadas com o seu crescimento e melhoria no rendimento de seus colaboradores, instalam salas de jogos, abrem espaços para intervalos regulares nas jornadas de trabalho para que os funcionários possam distrair-se um pouco, promovem-se sessões de ginástica laboral, implantam-se programas de entretenimento empresarial. A pessoa que consegue equilibrar trabalho e lazer produzirá muito mais e melhor.

Ócio criativo é um conceito moderno. Mesmo quando estamos aparentemente “sem fazer nada”, é possível estar criando e sendo útil. Pobre de quem acredita que a vida é apenas uma sucessão voraz de tarefas a cumprir rotineiramente, sem espaço para um momento para ver televisão, caminhar, ler um livro, pisar na areia ou simplesmente “fazer nada”.

A cantilena fordista do “time is money” recebeu roupagem nova neste começo de século: tempo é dinheiro, inclusive o tempo livre, o tempo do divertimento. Pessoas estressadas, cansadas, pressionadas por tarefas a cumprir em prazos cada vez mais absurdos se tornam improdutivas para a empresa. Pior: pessoas assim acabam gerando danos graves à própria saúde! Diversão e festa quebram o círculo danoso de uma rotina que acaba levando muita gente para os consultórios médicos e psiquiátricos!

E já que é bom o momento da diversão, se é necessário que o lúdico, a brincadeira, o jogo façam parte da vida de todos nós, que tal entender a justa medida do “homo ludens” que se esconde em nós? O fato de a brincadeira, o lazer e a diversão fazerem parte da vida não significa necessariamente que tudo é permitido para que eu tenha meus momentos de descanso e prazer. Assim como o alimento não pode ser ingerido exageradamente, do mesmo modo exageros na diversão podem se tornar danosos para a vida.

Por isso, divirta-se, aproveite seus dias livres, distraia-se com os amigos e com a família, aproveite a festa carnavalesca, mas muito cuidado para não passar da medida, senão a diversão vira confusão. Divertir-se sadiamente não inclui exagerar no álcool, desrespeitar as pessoas, sair dirigindo embriagado pelas estradas; divertimento de verdade não pode incluir joguinhos sexuais, violência física ou uso de drogas; no carnaval a diversão tem que nos dar alegria verdadeira e não euforia vazia que se transforma em melancolia quando amanhece a Quarta-feira de Cinzas! Quem sabe se divertir em paz e com respeito para consigo e para com o outro prolongará as lembranças da festa por muito tempo, como memória feliz e agradecida.

Pe. Evaldo Souza

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