Por Marcus Eduardo de Oliveira - Redação A12.com Em Mundo

Crescimento consciente

A noção de crescimento econômico, visto como paradigma supremo de progresso social e humano, principalmente puxado pelo padrão de consumo que ocorre entre os mais ricos do planeta, desde muito esbarra nas fronteiras ecológicas e expõe, cada vez mais, a fragilidade de manter em equilíbrio as relações entre os seres humanos e a natureza, evidenciando-se assim a crise ecológica.

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Cada vez que os homens aperfeiçoam suas técnicas de domínio e exploração, mais eles transformam pedras, plantas e animais em produtos econômicos, “abastecendo” assim a voracidade do consumo humano que parece ser insaciável.

O grande problema disso, à medida que a técnica avança, é que a ética diminui. Explora-se, dilapida-se, devasta-se e mata-se para produzir. Quanto mais economia (produção e consumo) menos natureza (pedras, plantas, animais). Quanto mais crescimento econômico, feito sob condições naturais não renováveis, mais depredação ambiental.

Com escapar a isso? Decretando o fim do crescimento? Talvez não, uma vez que o crescimento não terá fim. No entanto, o que precisa ter fim é esse tipo de crescimento destruidor.

No lugar disso, há de vir um “outro” tipo de crescimento, um crescimento consciente, regulador, centrado na lógica da regeneração, do cuidado, da preservação tanto de recursos quanto de lugares naturais.

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Leia MaisDesbancando discurso economicistaUm tipo de crescimento que se distancie, portanto, do acúmulo, do descarte, da derrelição, do desperdício que tem marcado as economias chamadas de modernas justamente por expandir ao máximo a capacidade de produção sem se dar conta da devastação ecológica deixada para trás.

Nesse pormenor, não se pode perder de vista que a crise ecológica, gestada no seio da natureza e provocada pela economia, ameaça a própria economia, tendo em conta que os recursos da natureza sustentam e provisionam à atividade econômica.

Desse modo, a economia dos seres humanos vai se tornando cada vez menos dos seres humanos, uma vez que esse processo, em âmbito geral, gera sociedades vazias e, por conseguinte, uma natureza dilapidada que compromete, de igual maneira, qualquer possibilidade de se pensar em atingir qualidade de vida.



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