Por Luciana Gianesini Em Assembleia Geral CNBB Atualizada em 14 MAI 2019 - 12H25

Rede Aparecida de Comunicação na cobertura da 57ª AG da CNBB: Momento de unidade e partilha

No último Redação A12 ao Vivo especial para a 57ª Assembleia Geral da CNBB, jornalistas fazem um balanço da cobertura do evento e suas principais percepções. A jornalista Elisangela Cavalheiro recebeu Eduardo Gois, do A12, e Gabriela Leite, da TV Aparecida, para partilhar suas experiências e impressões a respeito de mais este grande momento para a Igreja Católica no Brasil, que é a Assembleia Geral dos Bispos.

Gabriela iniciou comentando sua ansiedade em participar pela primeira vez da cobertura de um evento como este por meio de um veículo de inspiração católica, como é a TV Aparecida. Ela conta que foi uma experiência muito marcante e interessante, pois, atuando na cobertura das entrevistas coletivas diárias, pôde estar em contato bem próximo com os bispos e conhecer de perto suas análises sobre o momento pelo qual o País atravessa, seus pontos de vista e as soluções apontadas por eles para tais questões.

"Isso agrega muito para quem faz cobertura de pautas relacionadas à Igreja, pois a troca de experiências entre tantos bispos, vindos de realidades tão diferentes, mostra que existe unidade, pois o pensamento e a linha de raciocínio são os mesmos. É muito gratificante; é uma experiência de vida, muito mais que trabalho", disse.

Sobre esse sentimento de comunhão e unidade, Elisangela comentou que, muito além de toda a estrutura montada no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida, que foi adaptado para receber a Assembleia, todo o o Santuário Nacional "respirou esse clima", também por conta dos horários diferenciados das celebrações e toda a movimentação dentro do complexo do Santuário Nacional e Rede Aparecida de Comunicação (TV Aparecida, A12, Rádio Aparecida, etc.)

A seguir, Eduardo ressaltou que, depois de acompanhar a Assembleia Geral pelo oitavo ano consecutivo, é muito interessante observar a capacidade de a Assembleia, com suas realidades, pautas e temáticas, todo ano se apresentar de forma nova, diferenciada. "Cada ano traz uma novidade, e nos desafia, enquanto profissionais, a também inovar. Em meu primeiro ano de atuação pelo A12, em 2017, nossa cobertura foi quase que totalmente focada em texto. No segundo ano, já expandimos um pouco e, neste ano, trouxemos bastante conteúdo em vídeo, entramos com tudo com o Redação A12 ao Vivo, o que nos coloca numa situação muito gratificante de realização profissional", relatou.

Todo esse trabalho, segundo os jornalistas, tem o único e primordial objetivo de fazer com que os assuntos da Igreja cheguem com mais qualidade até as pessoas, para fazer com que a voz da Igreja seja, de fato, ouvida. "A preocupação do grupo foi fazer com que qualquer veículo deixasse as pessoas bem informadas. Tivemos informação na TV, ao vivo o dia todo, num ritmo muito intenso de boletins, TJ Aparecida ao vivo, a cobertura das entrevistas coletivas, enfim. Não faltou informação", destacou Gabriela. Eduardo também lembrou o intenso trabalho da Rádio Aparecida, especialmente no programa 'Com a Mãe Aparecida', que também realizou uma série de entrevistas com os bispos ao longo dos dez dias de evento.

Bruna Jardim
Bruna Jardim
Os jornalistas Eduardo Gois (A12), Gabriela Leite (TV Aparecida) e Elisangela Cavalheiro (A12) comentam sobre a cobertura da 57ª AG da CNBB


Falando do trabalho de preparação para a cobertura de um evento tão grandioso quanto este, Eduardo partilhou um pouco de sua rotina de planejamento no A12. Ele contou que as atividades se intensificam cerca de um mês antes, com a definição de atividades, o agendamento prévio das entrevistas com os bispos e outros detalhes. "Aqui, são mais de 400 bispos, então é um período de muito trabalho. Porém, você vai firmando vínculos com os pastores de nossa Igreja, porque eles são excelentes fontes de conhecimento. E nós também bebemos dessa fonte de sabedoria da Igreja, que é muito maior que a nossa de leigos, apesar de nossa experiência. Eles estão além, pois têm experiência de entrega da vida, da alma. Então, é muito importante termos a oportunidade de tê-los partilhando algum assunto que também esteve em pauta na Assembleia Geral, como as Diretrizes para a Ação Evangelizadora, a questão da imigração da Venezuela, temas da juventude e tantos outros", salientou.

Elisangela comenta que o feedback, a resposta para todo esse trabalho vem da própria solicitude dos bispos em também nos ajudar a transmitir essa informação, seja para veículos de inspiração católica, seja para outros tipos de mídia secular. Destacou também os comentários recebidos no Facebook e YouTube, que trouxeram uma manifestação muito interessante, no sentido de ser um retorno imediato do que estava sendo mostrado.

Eduardo disse ter ficado um pouco surpreso, especialmente com as participações no YouTube, segundo ele, reflexo de um momento de intolerância que temos vivido na internet. "Houve muitos comentários que agregaram em participação, mas tivemos outros que, respeitando-se o direito de liberdade de expressão, deveriam estar mais abertos ao diálogo. Vimos um embate muito acalorado, que muitas vezes perpassavam os princípios de educação, de amor ao próximo. Fico triste, mas tenho esperança que as pessoas modifiquem sua forma de pensar, pois isso não nos leva a nada. Quem semeia discórdia, não trabalha pra igreja, mas pelo diabo. Espero que quem extrapolou repense a sua contribuição", ponderou.

Elisangela ainda observou que, nesta dinâmica de polarização, o debate girou em torno de temas diversos do que estava sendo debatido pelos bispos e convidados. Ela destacou que é importante olhar para além dos comentários, para compreender a mensagem da Igreja, que está além das discussões.

Gabriela salientou que o diferencial dessa Assembleia foi, justamente, o diálogo, muito ressaltado pela nova presidência. "O desafio é diário; é essencial estarmos abertos a ouvir opiniões diferentes. Essa abertura me surpreendeu, inclusive. Fui desafiada também a me aprofundar em assuntos diversos e aprendi muito", apontou. Ela ainda comentou sua percepção acerca do contraponto oferecido pela cobertura da mídia secular, cujo enfoque é mais no sentido de ventilar polêmicas. "Já cobri a Assembleia Geral por outra emissora e é muito diferente mesmo. É voltado para um grande público, interessado em saber sobre questões polêmicas, política... O nosso diferencial é mostrar o trabalho da Igreja, de forma mais humanizada, focada na realidade social e no que vai ser feito pra resgatar a humanidade do povo", pontuou. "A mensagem principal é esquecer diferenças e colocar de novo Deus no centro. Nosso foco de discussão é sempre sobre como trazer as pessoas de volta pro centro, que é Deus. E também o que a Igreja tem feito para reunir, religar de novo as pessoas a Deus", concluiu.

Eduardo comentou que, por um lado, a cobertura pontual de polêmicas apresenta audiência maior. Por outro, a mídia católica somada, dá também sua imensa contribuição. Desde a Pastoral da Comunicação, emissoras, portais, jornais, rádios e outros meios de inspiração católica, procuram destacar o trabalho da Igreja, traduzir isso e aprofundar cada um dos temas para o público em geral. A mídia secular não se aprofunda, mas escolhe um único foco. Ele também lembrou do esforço da CNBB em congregar e acolher a imprensa toda nesse trabalho.

Por fim, comentando sobre a nova formação da Presidência da CNBB, o jornalista salientou mais uma vez a abertura ao diálogo, já demonstrada pelo Presidente, Dom Valmor, bem como o importante trabalho desenvolvido por Dom Mário, segundo vice-presidente, junto aos refugiados venezuelanos em Roraima, uma das questões às quais a Igreja se mantém atenta desde o início da crise. Também falou a respeito da renovação na coordenação das Comissões Episcopais Especiais e, por fim, o CELAM, que contará com os Arcebispos de São Paulo, Dom Odilo P. Scherer, e de Aparecida, Dom Orlando Brandes, os quais acredita que farão um excelente trabalho, por sua experiência e relevância na história da Igreja no Brasil.

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