Por Pe. José Carlos Pereira Em Artigos

A amizade

Amizades são como jardins, se não cuidar elas morrem ou perdem seu encanto. Um jardim precisa de cuidados. Quanto mais se cuida de um jardim, mais belo e vistoso ele fica. É bom ter ou passear por um jardim. Eles transmitem paz e fazem um bem enorme para a alma, como as boas amizades. O jardim é algo tão bom, que Deus, ao falar do paraíso, comparou-o com um jardim, o Jardim do Éden. Para ter um jardim, é preciso empenho e dedicação. O Jardim do Éden foi construído com muito carinho. Carinho divino. Foram seis dias de trabalho, colocando cada coisa no seu devido lugar, e só final de cada obra criada, Deus via que era bom e se alegrava com o Jardim que estava sendo criado.

Os jardineiros, paisagistas ou quem gosta de fazer jardins, experimentam um pouco esse gostinho divino de criar um pedaço do paraíso. Cada gesto na criação de um jardim é um procedimento precioso. É preciso escolher o terreno, preparar o solo, escolher as sementes e semear; as mudas e plantar, depois adubar, regar e, à medida que as plantas vão crescendo é preciso podar, retirar galhos secos, aparar e modelar suas ramagens e, assim o jardim fica belo, dando gosto de ver e de estar ali, junto de um jardim.

Assim também acontece com as amizades. Elas se assemelham muito a um jardim em alguns aspectos. Embora os jardins nós possamos escolher e deixá-los de acordo com nosso gosto, as amizades a gente não escolhe e nem modela. Elas surgem naturalmente na nossa vida, numa ocasião qualquer, sem esperar, sem que nada tenha sido planejado antes.

Porém, como as sementes, ou as mudas que irão formar um jardim, as amizades a gente não pode forçar para nascer. Amizades forçadas não duram porque não são amizades. Amizades são plantas nativas na nossa vida. É preciso deixar que elas nasçam e cresçam naturalmente, basta ter um terreno fértil e alguns cuidados. Amizades, depois que brotam, precisam de cuidados como se fossem plantas. Há planta que gosta de pouca água, como as orquídeas, e outras, como os lírios, que gostam de água em abundância. Há plantas que têm espinhos, mas suas flores compensam os espinhos, como, por exemplo, as rosas, e outras que só têm folhas, mas são igualmente bonitas a sua maneira. As amizades, como as plantas, precisam de certos cuidados. Na amizade é fundamental encontrar-se sempre, ou de vez em quando. Se isso não for possível, basta um telefonema, uma carta, um e-mail, um contato para mostrar que a pessoa não foi esquecida e para não sermos esquecidos.

Há amigos que ficam anos sem se encontrarem e quando se encontram é como se tivessem se encontrado ontem. Essa é uma amizade cultivada a distância. Outros se encontram sempre, e cada vez que se encontram parece que estavam longe havia uma eternidade. São formas diferentes de cultivar amizades. Diferentemente dos jardins, nas amizades é preciso que ambas as partes interajam. Você faz a sua parte e deixa que o outro faça a parte dele. Se houver reciprocidade natural, ali existe uma verdadeira amizade. Porém, essa amizade acaba quando apenas uma parte é amiga. O livro dos Provérbios diz que há amigos que são mais chegados que irmãos (Pr 18,24). Quem é que nunca teve um amigo assim? Esses podem passar o tempo que for, estarão sempre lá, como se fossem alguém da família. Esses amigos são plantas raras nos nossos jardins e também precisam de cuidados.

Padre José Carlos Pereira, CP é sociólogo e escritor de mais de 50 livros

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Pe, José Carlos Pereira
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