Por Pe. José Carlos Pereira Em Artigos

A bondade

A bondade é o que mais nos aproxima de Deus. Quem tem um coração bom revela Deus nos seus atos. Quem é bom deseja o bem ao seu semelhante; quem é bom se alegra com as alegrias dos outros; quem é bom é manso e humilde de coração (Mt 11, 29).

São muitos os adjetivos que podemos empregar para quem é bom, mas não são apenas os adjetivos que definem a bondade, mas também, os verbos, ou melhor, o Verbo. Sim, o Verbo com “V” maiúsculo, o Verbo que se fez carne e habitou entre nós (Jo 1, 14). Aquele que no princípio era o Verbo, a Palavra (Jo 1,1). Por Isso João evangelista definiu Deus usando um verbo intransitivo: “Deus é amor” (1Jo 4,8). Não há definição mais bela e completa – se é que Deus se pode definir. “Amar, verbo intransitivo”, disse o poeta Mário de Andrade. Verbo intransitivo não possui complemento. O amor é o que é e não precisa de complementos, de justificativas ou explicações. Quem ama, ama e pronto, sem porquês, ou porque é bom. Quem ama revela todo esplendor de sua bondade, porque quem ama perdoa; quem ama releva muitas faltas; quem ama compreende a sua própria limitação e as limitações dos outros; quem ama cuida, diz uma expressão popular. Deus é infinita bondade porque ama infinitamente. Por isso ele perdoa todas as nossas faltas, compreende nossas limitações e cuida de nós, como o Bom Pastor cuida das suas ovelhas (Jo 10, 11).

Quem poderia amar seus próprios algozes (Lc 23,34) a não ser somente aquele que é amor infinito (Jo 3,16)? Quando Ele nos pede que amemos os nossos inimigos e rezemos por aqueles que nos perseguem (Mt 5,44), ele pede que sejamos bons e nada mais. Somente os bons são capazes de perdoar. Perdoar não é sinônimo de ser bobo, mas de ser bom. Perdoar não é esquecer, mas é não deixar que a ofensa continue prejudicando a nós e aqueles que nos tem ofendido; perdoar não é deixar de fazer justiça, é não querer se vingar. Saibamos fazer essas diferenças e seremos verdadeiramente bons.

Temos que aprender com a bondade do coração de Jesus a termos um bom coração (Mt 11,28-30). Um coração capaz de se compadecer do sofrimento alheio e fazer de tudo para diminuir ou erradicar esse sofrimento (Jo 11,43). Um coração que se comove e que por isso nos move a fazer algo de bom para os outros.

Quem passa pela vida sem nunca ter feito nada de bom, apenas passa pela vida, mas a vida não passou por ele. Não basta passar pela vida, é preciso que a vida passe por nós. Quando a vida passa por nós, nos promovemos a vida em toda a sua plenitude, porque foi para isso que fomos chamados a vida. Jesus, na plenitude de seu amor por nós, diz que veio para que todos tenham vida a tenha em plenitude (Jo 10,10). Ter vida plena é não viver pela metade. Quanto mais fazemos o bem mais completamos a nossa vida, mais tornamos a vida plena. A plenitude da vida consiste na bondade colocada em prática, colocada a serviço dos demais.

Aprendamos com o Sagrado Coração de Jesus a sermos bons, porque somente a bondade abre as portas do reino do Céu. Se estivermos cansados, desanimados, decepcionados em fazer o bem e não ver resultado, vamos nos lembrar do seu convite: “vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso de vossos fardos, e eu vos darei descanso” (Mt 11,28).

Padre José Carlos Pereira, CP é sociólogo e escritor de mais de 50 livros

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Pe, José Carlos Pereira
Pe. José Carlos Pereira

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