Por Pe. Clayton Sant'Anna, C.Ss.R. Em Artigos

A espiritualidade da Consagração

Velas acesas

Foto: USP/Imagens

No dia 2 de fevereiro, 40 dias após o Natal, relembramos o episódio bíblico da Apresentação do Menino Jesus no Templo de Jerusalém por Maria e José. Levaram-no para oferecê-lo e consagrá-lo ao Senhor. Maria, humildemente fiel aos costumes do seu povo, cumpriu também a sua purificação legal. A Sagrada Família sujeitou-se aos costumes da Lei mosaica e integrou-se à ordem sociorreligiosa da Aliança. Segundo a Lei, o parto deixava a mulher legalmente impura. Ela não podia sair de casa nem para ir ao culto. Após os 40 dias de recolhimento, a mulher apresentava-se ao sacerdote e oferecia o sacrifício de sua purificação. Admirável a humildade da Virgem puríssima, que não precisava de purificação alguma, pois acolhera em seu seio virginal o Filho do Altíssimo, o “Cristo”, nome que significa: o consagrado, o Santo de Deus.

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Celebrando a Apresentação, as paróquias dão a bênção sugestiva das velas: “Ó Deus, luz verdadeira e princípio da luz eterna, fazei brilhar no coração de vossos fiéis a luz que não se extingue para que, iluminados por estas velas no vosso templo santo, cheguemos ao esplendor da vossa glória!” São João Paulo II, em 1997, inspirou-se nas tradições litúrgicas bem antigas, que incluíam a “procissão das velas”, e fez do dia 2 de fevereiro o Dia mundial da Vida Consagrada. Aliás, é tradição das Congregações de vida consagrada fazer a profissão dos votos de pobreza, castidade e obediência, ou renová-los nessa data. A espiritualidade da Consagração em todas as suas modalidades, fórmulas, intenções em todos os seus gestos e textos não é iniciativa humana. Só Deus nos consagra e nos introduz na comunhão de sua vida: santidade, justiça e amor. Ele nos “faz sagrados com Ele”, chamando-nos para sermos filhos e filhas no batismo em Cristo, administrado em nome da Trindade Santa. Além dos votos religiosos, a consagração tem muitos sentidos: ato devocional popular; fórmula de piedade própria da vida cristã, gesto de algum compromisso especial com Deus, individual, ou coletivo etc.

:: Maria, discípula fiel do Senhor

O Batismo gera o estado de consagração; a Eucaristia o sustenta. O sacerdote repete as palavras e os gestos de Jesus na Ceia, consagrando o pão e o vinho. Age como Cristo ao dizer: Isto é o meu Corpo: tomai e comei! Este é o cálice do meu sangue: tomai e bebei! Pão e vinho consagrados no mistério divino se mudam no corpo e sangue do Senhor. Podemos entrar na sua íntima comunhão de vida ao recebê-los. A comunhão eucarística é o meio mais excelente e insigne de nos consagrarmos a Deus. O ato piedoso da Consagração a Maria é devoção muito antiga e recomendada. Fortalece o seguimento de Jesus em todas as dificuldades e em todos os problemas. O ano mariano convida a imitá-la: a primeira discípula e primeira consagrada, no seguimento fiel de Jesus. São 300 anos de consagração e bênçãos!

Escrito por
Pe. Clayton - Arquivo Pessoal
Pe. Clayton Sant'Anna, C.Ss.R.

Pe. Clayton Sant'Anna

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