Por Pe. José Carlos Pereira Em Artigos

A igreja

A igreja deve ser um espaço onde se possa vislumbrar o céu. Quando vamos à igreja, devemos voltar de lá com certeza de que vimos de alguma maneira, mesmo que por uma pequena fresta, um pedacinho do céu. Se assim não for, ela perde a razão de ser. Porém, para que ela mostre o céu, é preciso que as pessoas que ali frequentam, ou fazem parte dela, reflitam Deus nas suas ações e no seu proceder. Se a sua igreja não está possibilitando isso, reveja se você não está no lugar errado, ou se você não está procedendo de modo errado.

A igreja não é apenas um templo de pedra, um espaço físico, uma estrutura. Ela é também uma condição, um jeito de ser, um modo de tornar visível o invisível. Ela é feita de seres humanos, mas com propósitos divinos. A Igreja não são apenas os líderes religiosos, mas uma comunidade de pessoas que se propõem construir relações fraternas, pautadas nos ensinamentos divinos. Só se descobre o que é ser Igreja quando se participa dela, quando há comprometimento com ela. Desse modo, quando for falar mal da Igreja, tome cuidado, você é a Igreja.

A Igreja é a concretização da religião. Quem diz que tem religião, mas não participa de uma Igreja, de uma comunidade eclesial, tem uma religião desconectada da realidade. Na igreja possibilitamos que o divino se manifeste no humano, com todas as suas limitações, enquanto que numa religião sem igreja o divino não nos desafia a vencer nossas limitações, porque só vencemos nossas limitações quando confrontamos com ela diante dos nossos semelhantes, daqueles que nos ajuda a enxergar quão pequenos nós somos diante do mistério insondável de Deus, como diz o apóstolo Paulo na Carta aos Romanos (Rm 11,33): “Ó profundidade da riqueza, da sabedoria e da ciência de Deus! Como são inescrutáveis os seus juízos e impenetráveis os seus caminhos!”. Somente tem acesso aos reflexos desse mistério insondável aquele que se compromete em conhecê-lo. Essa foi a razão de Jesus levar os seus discípulos para a região de Cesareia de Filipe (Mt 16, 13-20), periferia de Jerusalém, e ali perguntar quem Ele era para eles. A resposta acertada de Pedro não significou que alguém o tenha dito, mas que ele estava de fato comprometido com Jesus e com sua causa, e por isso Deus revelou o seu mistério insondável a ele. Razão pela qual Jesus ordenou que não dissessem a ninguém que Ele era o Messias. Só o enxergará como o Messias, o Salvador, o Filho do Deus vivo, aqueles que se comprometerem com Ele na construção da sua Igreja. Senão, continuar-se-á o vendo como alguém importante, mas não como Deus conosco. Nisso consiste a diferença entre uma Igreja viva e comprometida com a vida e uma religião desconectada da realidade, onde Deus está para servir aos caprichos humanos.

Por essa razão foi confiada a Simão Pedro às chaves do Reino dos Céus, dando-lhe a liberdade, ou o livre arbítrio, para que ele ligasse ou desligasse as coisas entre o céu e a terra. Antes, porém, Jesus o confirmou como “pedra”, alicerce que edificaria essa Igreja missionária e profética que iria enfrentar de modo incansável o “poder do inferno”, e que sairia constantemente vencedora dessa batalha interminável. Batalha essa que concretiza em cada cristão que assume verdadeiramente as propostas de Cristo, construindo sobre a rocha do amor uma Igreja inabalável, apesar de tantas perseguições, calúnias e tentativas de desmoralização daquela que representa a marca do Cristo e dos apóstolos entre nós.

Assim também acontece conosco: quando participamos da Igreja, nos comprometendo na construção do Reino de Deus, nós fazemos acontecer ainda aqui, na terra, o Reino dos céus. Quando assim procedemos, estamos ligando o céu e a terra. Caso contrário, estaremos distanciando o Reino dos Céus deste mundo, desligando as “teias” que possibilitam que o reino aconteça, ou impedindo que seja ele vislumbrado de alguma maneira. Veja se o seu procedimento não está provocando desligamentos em vez de ligações que possibilitam conectar com Deus.

Quer promover o céu? Quer conectá-lo com a terra? Faça o bem; ame os seus semelhantes; fuja das coisas que desagradam a Deus; evite falar mal do seu próximo; não prejudique ninguém, mesmo que você tenha sido prejudicado; não vingue, mas perdoe; denuncie injustiças; seja solidário, e ajude o seu próximo; enfim, ajude a sua Igreja a ser melhor, mostrando que você traz dentro de si uma parcela divina.

Padre José Carlos Pereira, CP é sociólogo e escritor de mais de 50 livros

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Pe, José Carlos Pereira
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