Por Roberto Girola Em Artigos

Aborto: uma questão complexa

O aborto é uma questão complexa e delicada que pode ser abordada sob diferentes óticas. A Ética, o Direito, a Medicina, a Religião e a Psicanálise procuram oferecer algum tipo de suporte para os que se defrontam com uma gravidez indesejada.

A legislação sobre o aborto é diferente em cada país. Quando é admitido, geralmente é considerado legal em algumas circunstâncias e em outras não. A maioria das religiões condena o aborto e, do ponto de vista ético, a questão é debatida.

O psicanalista não tem como objetivo oferecer uma orientação preestabelecida, e sim apenas escutar o paciente para ajudá-lo a identificar dentro de si como essa situação é vivida, procurando identificar as interferências não percebidas do inconsciente. Caberá ao paciente tomar decisões que façam sentido para ele, de acordo com os seus valores, sua orientação religiosa, suas percepções e a situação concreta que está vivendo.

Embora a decisão de abortar envolva tanto a mãe da criança como o pai (quando é conhecido), não há dúvida de que tem um peso muito maior para a mulher, pois para ela a relação com o feto não é apenas um evento futuro (o bebê que vai nascer), mas é um evento presente, que diz respeito às transformações que seu corpo vem sofrendo. O bebê que está nela é uma parte dela.

Conscientemente ou não, a mãe desde o início estabelece um vínculo com esse evento que acontece nela, com a percepção de que ele envolve algo que não é ela. Este outro que está nela pode ser percebido de diferentes formas e, mesmo nas situações que não resultam no aborto, os sentimentos envolvidos são sempre ambíguos, envolvendo amor e ódio ao mesmo tempo.

Tomar consciência disso é importante. Caso a mãe opte por ter o bebê, ela deverá aprender a lidar com esses sentimentos ambíguos para que possa acolher e cuidar do bebê que vai nascer. Caso a mãe decida tirar o feto, também deverá lidar com esses sentimentos que, embora recalcados, permanecem no fundo do inconsciente, geralmente associados a sensações de culpa.

Roberto Girola é psicanalista e terapeuta familiar

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