Por Roberto Girola Em Artigos

Ansiedade: quais as causas?

Tenho a impressão de sempre estar atrasado nas minhas obrigações

A ansiedade é uma síndrome que afeta de forma cada vez mais profunda o modo de vida contemporâneo. A progressiva aceleração do tempo e o encurtamento das distâncias afetam a forma como a mente percebe a dimensão espaço temporal. Tudo é para já, as interações de qualquer tipo são em grande parte on-line e as distâncias se tornam cada vez menos significativas, trazendo uma sensação de encurtamento dos espaços, pois tudo está ao alcance, nem que seja de forma virtual. Poderíamos dizer que a respiração da nossa psique ficou acelerada.

Este é um cenário que afeta de forma geral o viver contemporâneo, mas a chave para entender o estado de ansiedade ao qual a pergunta se refere parece-me ser a palavra “obrigação”. O que poderia ser percebido como uma simples tarefa do dia a dia passa a ser uma “obrigação”, ou seja, algo que remete a um peso, a algo que o psiquismo processa como sendo aversivo e até, de certa forma, persecutório.

Embora a ansiedade possa ser associada a uma sensação de “perigo” que comporta um estado emocional de angústia, nem sempre é fácil identificar o “gatilho” psíquico que dispara esse estado de coisas.

Uma estrutura superegoica rígida pode ser uma das causas. O superego é uma espécie de “observador” interno, uma instância do psiquismo que nos remete justamente a algo que obriga, uma lei interna, presidida por um juiz interno que, por sua vez, ecoa todas as instâncias externas de caráter cultural, social ou religioso que envolvem algum tipo de “censura”, mais ou menos explícita.

A aceleração e o encurtamento da dimensão espaço-temporal, aos quais me refiro, obviamente trazem uma sensação de alerta diante de tempos que já não admitem pausas e espaços que já não podem ser percebidos como um “separador” efetivo entre o eu e os outros.

Nem sempre, contudo, a origem dessa censura interna remete a uma instância que faz a mediação entre o mundo interno, dominado pelos instintos inconscientes, e o mundo externo que impõe suas regras e limitações. Às vezes a psique vive uma ansiedade mais profunda, que alguns psicanalistas definem como ansiedade de aniquilamento. É como se o eu se visse constantemente ameaçado a não ser que fique à mercê do cumprimento das “supostas” expectativas do outro. Neste caso, a sensação é de estar sempre alerta, “devendo” algo para o ambiente externo, o que resulta em um constante estado de tensão ansiosa.

Roberto Girola é psicanalista e terapeuta familiar

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Roberto Girola
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Por Carolina Alves, em Artigos

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