Por Roberto Girola Em Artigos

Ausência do desejo e da capacidade de sonhar

A ausência de desejos, sonhos e motivação para viver é sem dúvida um quadro psíquico que inspira preocupação e exige cuidados. Trata-se de situações geralmente muito dolorosas, acompanhadas de sintomas de todo tipo: dificuldade para acordar, dificuldade para dormir, incapacidade de definir qual rumo dar à vida, sensação de paralisia diante de qualquer tarefa, sensação de “preguiça” crônica, fuga para atuações maníacas (por ex. compras e endividamento compulsivo), uso de drogas e álcool, e, em casos extremos, tentativas de suicídio.

Quanto ao diagnóstico, o recurso a um profissional qualificado e experiente é imprescindível, pois somente ele poderá ajudar a compreender do que se trata.

Como já expliquei em outros artigos, embora haja hoje uma tendência a classificar tudo como “depressão”, para a Psicanálise existem outras leituras dos sintomas que podem apontar não somente para a depressão, mas também para a melancolia e estruturas primitivas de tipo masoquista (masoquismo primitivo). A capacidade de “desejar” em todos esses casos ou é atacada, ou é punida, ou é percebida como impossível (desistência do desejo).

Freud, ao identificar tardiamente duas “pulsões” que regulam o funcionamento psíquico, em todos esses casos aponta uma intensidade superior da pulsão de morte (Totentrieb) em relação às pulsões de caráter erótico (Eros, pulsões de vida).

Os quadros que originam cada uma dessas síndromes são diferentes e exigem o trabalho da análise para que possam ser identificados adequadamente. Nos casos mais graves pode haver também uma ausência de resposta ao tratamento, como parte integrante da síndrome.

São esses os casos nos quais o vínculo que o paciente estabelece com a terapia e o terapeuta é ambivalente, misturando amor e ódio com a mesma intensidade. Ao mesmo tempo em que a terapia é percebida como necessária, também é atacada constantemente e “odiada” por se revelar “insuficiente” e incapaz de vencer os sintomas e o mal-estar psíquico.

Roberto Girola é psicanalista e terapeuta familiar

 

  

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