Por Pe. José Carlos Pereira Em Artigos

Beleza

A vida é implacável conosco e envelhecer é um processo natural para os que não morrerem antes. A beleza física se esvai com o tempo, restando apenas a beleza interior, embora cada idade tenha a sua beleza. Porém, refiro-me ao conceito de beleza física, comercial, que a sociedade valoriza, como, por exemplo, o físico, o rosto, a perfeição das curvas ditadas pela moda, com medidas padronizadas. Essas têm prazo de validade, e um prazo muito curto, perecível como qualquer produto, porque essa modalidade de beleza é vista e tratada como produto. Quem adere a esse sistema, entra na engrenagem mercantilista da sociedade e se torna meramente um produto do mercado da moda, tão efêmero quanto o formato das nuvens. Se você tiver essa modalidade de beleza, cuide-se, porque ela não é por muito tempo. Não se apegue a ela como se fosse eterna, pois se você apegar-se a beleza física terá grandes decepções na vida e será, no mínimo, uma pessoa infeliz.

Por isso, tendo beleza exterior, ou sendo desprovido dela, cuide da beleza interior. Essa não tem prazo de validade, e quanto mais velha melhor. Se você for uma pessoa fútil, superficial, e prender-se apenas a beleza exterior, você será o mais pobre de todos os mortais, porque amanhã ela não existirá mais, e não vai restar-lhe nada, a não ser as lembranças de tempos idos, materializadas nas fotos, caso restar-lhe a memória.

Faço essa reflexão com base nas imagens de dois grandes nomes do cinema mundial, Brigitte Bardot e Paul Newman, trazidos pela mídia recentemente, comparando as fotos da juventude com as da velhice. As fotos da velhice precisavam de legenda para identificá-los, pois não eram as imagens glamorosas que se eternizaram no imaginário das pessoas. Ambos, ícones de beleza no seu tempo de sucesso e visibilidade, envelheceram como qualquer ser humano. Restaram-lhes apenas a fama de tempos áureos e as fotos de arquivos, com rostos e corpos que nada têm a ver com os que chegaram à velhice. São quase que irreconhecíveis quando comparadas as fotos. Rostos enrugados, cabelos brancos, olhos cansados, com profundas marcas do tempo, semelhantes a tantos outros anônimos que não tiveram a fama, a riqueza e a beleza externa que esses tiveram.

Nós, porém, reles mortais, que não somos famosos, nem belos, nem ricos, o que nos resta se não for a beleza interior, a da alma? Portanto, cuide dela, a beleza interior, a beleza da alma. É ela que o eternizará e fará de você uma pessoa eternamente bela, seja qual for a sua condição social, sua raça, gênero ou religião.

Brigitte Bardot e Paul Newman continuam belos pelo trabalho e pela contribuição que deram à sétima arte. E você, em quê e com o quê a sua beleza contribui? A beleza externa eu não sei, mas a beleza interna contribui, e muito, para o mundo ser melhor. É essa modalidade de beleza que faz a diferença no mundo: a beleza de mãos estendidas, solidária com os que sofrem; a beleza de gestos de amor; a beleza do perdão, da misericórdia e da bondade. Quanto à beleza física, ela é importante, faz bem para o ego, mas não muito mais que isso. Portanto, pense nisso, e cultive a beleza invisível aos olhos. Ela é que tornará visível a beleza do mundo e a beleza da sua alma.

Padre José Carlos Pereira, CP é sociólogo e escritor de mais de 50 livros

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Pe, José Carlos Pereira
Pe. José Carlos Pereira

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