Por Roberto Girola Em Artigos

Breaking Bad (Botando para quebrar)

O seriado Breaking Bad (que poderia ser traduzido como Botando para quebrar) conta a história de um professor de física que, ao descobrir que está com câncer, resolve fabricar um novo tipo de droga, extremamente pura e valiosa para o mercado.

O intuito inicial é fazer com que, na sua morte, a mulher e o filho, deficiente físico, possam viver tranquilamente, sem dívidas e com uma renda que garanta o futuro deles, algo que nunca conseguiria com o trabalho honesto como professor de segundo grau e com o emprego extra em um lavador de carros.

A vinda de mais uma filha e as dificuldades conjugais complicam ainda mais o cenário e levam o protagonista Mr. White a radicalizar a sua opção, envolvendo-se cada vez mais com o tráfico de drogas.

Se de início ele deve suspender seus padrões éticos para se defender de marginais violentos que atravessam o seu caminho, pondo em risco sua vida, a do parceiro e da família; com o passar do tempo, suas opções morais se tornam cada vez mais questionáveis e seu comportamento mais perverso, fazendo com que todos passem a temê-lo, inclusive o sócio e a própria mulher.

As motivações iniciais são substituídas por uma clara intenção de resgatar uma autoimagem fraca. O professor bonzinho antes desprezado e humilhado, apesar de seu saber e de suas capacidades, passa agora a se sentir onipotente, manipulando as regras do jogo a seu bel-prazer, mostrando indiferença com os meios que deverá usar para conseguir seus fins, cada vez mais obscuros e afastados do propósito inicial.

Mas isso é possível? O psiquismo pode passar por transformações desse tipo? Alguém tido como bom pode, de repente, virar mau, rompendo com todas as regras? O ser humano contém em si as sementes de um instinto que Freud chamava pulsão de morte, que associado com tendências sadomasoquistas pode de fato levá-lo por caminhos bastante obscuro e imperscrutáveis.

Mr. White é uma metáfora de todos aqueles que, ao priorizar seus fins, acabam esquecendo a importância dos meios que escolhem para alcançá-los, para descobrir aos poucos que também seus fins acabam mudando, deixando para trás qualquer pintura superficial de decência. Ao seguir esse caminho ambíguo, aos poucos, o branco vira preto, depois de passar por todos os tons de cinza.

Roberto Girola é psicanalista e terapeuta familiar

 

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Roberto Girola
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Por Alexandre Santos, em Artigos

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