Por Pe. Evaldo César de Souza, C.Ss.R. - Jornal Santuário Em Artigos

Como a Igreja decide que haverá um Ano Santo?

Olá João Paulo, tudo bem? Estamos vivendo o Ano Santo da Misericórdia, instituído pelo Papa Francisco ano passado pela exortação Misericordiae Vultus,que deve perdurar até novembro desse ano. O último ano santo que tivemos foi o Ano Jubilar dos 2000 anos do Cristianismo, quando, o agora santo, o Papa João Paulo II abriu a porta santa para recordar o segundo milênio de nossa fé, com a exortação Tertio Millennio Adviniente. A decisão da Igreja para estabelecer um ano santo depende sempre de datas significativas ou da decisão pessoal do próprio Papa.

Para entender a origem dos anos santos jubilares temos de voltar para as tradições bíblicas do povo judeu, ainda no antigo testamento. A origem dos anos jubilares, ao menos na literatura, está ligada sempre ao aspecto do perdão de Deus sobre seu povo, com a reconciliação das pessoas entre si e a recuperação original das posses materiais alienadas ao longo do tempo. A palavra jubileu deriva da palavra hebraica yovel, literalmente o “chifre de carneiro”, que era usado como um instrumento musical e seu toque anunciava o começo do ano santo. O ano Jubilar idealizado está descrito no livro do Levítico, capítulo 25. A conta era muito simples e representava a teologia divina do descanso do sétimo dia. Assim como a cada semana um dia é consagrado ao Senhor, o povo “contará sete semanas de anos, sete vezes sete anos, de maneira que os dias das sete semanas de anos serão 49 anos... santificareis o ano quinquagésimo... ano de jubileu vos será”.

Assim, estabelecido o começo, a cada 49 anos o povo deveria celebrar um Jubileu sagrado, no qual, conforme o texto bíblico, a terra deveria descansar, as terras que haviam sido compradas ou possuídas deveriam voltar ao dono original e os escravos deveriam ser libertados. Como se vê, era um momento de restauração da comunidade e de confraternização pela Graça de Deus que tudo oferecia ao povo. No Livro do profeta (Is 61,1-3) vamos ler de novo que Deus proclama um ano de Graça, ratificando que reservar um tempo para o Senhor é uma das obrigações do povo de Deus.

Na Igreja Católica, o primeiro grande Jubileu aconteceu no ano de 1300, quando o Papa Bonifácio VIII incentivou a visita dos peregrinos em Roma. Tão grande foi o afluxo de pessoas, que o Papa se entusiasmou e decidiu que os jubileus seriam também ocasião para que todos os fiéis recebessem indulgências plenárias. Ao longo dos séculos, tantos outros anos santos foram proclamados, sempre com o objetivo de aproximar ainda o coração do povo ao coração de Deus. Um jubileu será sempre um “ano da graça do Senhor”.

Padre Evaldo César de Souza é diretor de produção/operação da TV Aparecida

 

Escrito por
Padre Evaldo César Souza, C.Ss.R, diretoria da Fundação Nossa Senhora Aparecida (FNSA) (TV Aparecida)
Pe. Evaldo César de Souza, C.Ss.R. - Jornal Santuário

Jornalista e missionário redentorista

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