Por Pe. Evaldo César de Souza, C.Ss.R. - Jornal Santuário Em Artigos Atualizada em 13 FEV 2020 - 09H09

É possível ser cristão autêntico e pular o Carnaval?

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O ser humano sempre gostou de festejar a vida e agradecer as coisas boas recebidas.
Fazer festa é sair da rotina e promover um momento de liberação de energias boas, que nos ajudam a seguir no cotidiano da vida. Já imaginou uma vida sem festejos e alegria? Seria triste e demasiadamente desanimador viver assim. Ao que parece, os gregos, nos tempos antigos, já faziam uma festa muita parecida com o carnaval. Eram as festas dionisíacas, ou seja, festas feitas em honra ao deus pagão Dionísio, chamado “deus do vinho”. Também os romanos popularizaram as chamadas “saturnálias”, festivais em honra ao deus Saturno. Nessas festas, as pessoas se divertiam e chegavam ao exagero da embriaguez e de outros excessos humanos! Mas ninguém se culpava, pois esse era o espírito; um ambiente pagão, ainda desligado de qualquer moral cristã.

Há quem diga que o Carnaval de hoje em dia tem suas raízes nessas festas antigas. Assim, a Igreja Católica, quando nasceu, já encontrou entre os homens esses tipos de comemorações. Obviamente os cristãos diziam não aos exageros, tanto de bebidas, quanto de algazarras e libertinagem sexual. Para o cristão a verdadeira festa era a celebração da Vida de Jesus e não momentos passageiros de euforia. A introdução do cristianismo nas sociedades mais civilizadas ajudou a controlar um pouco os exageros carnavalescos, mas não os eliminou totalmente.

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Leia MaisPlaylist: TOP 12 músicas para curtir no retiro de CarnavalA palavra carnaval parece ter origem no latim tardio – carne vale! – e significa “adeus carne”, ou seja, a festa do Carnaval acontecia sempre antes do início da Quaresma, momento onde era proibido comer carne. Assim, antes de começar o jejum, as pessoas aproveitavam para saciar, à vontade, seus apetites. Por isso falamos que a terça-feira de Carnaval é gorda! Nesse dia, as pessoas se empanturravam de tanto comer, pois iriam enfrentar o jejum quaresmal. Há outros que pregam a origem da palavra na língua italiana – carne levare – que significa remover a carne, com o mesmo sentido prático acima descrito: no carnaval se exagerava, já que na quaresma tudo seria limitado.

Hoje em dia os cristãos brincam o Carnaval! Existem até o “Carnaval com Jesus” e os grandes "rebanhões" promovidos nas paróquias e comunidades do Brasil. Ali o Carnaval é cheio de alegria, música, festa, mas em um clima de presença de Deus.

O que a Igreja ensina, exorta e pede com insistência é que tenhamos cuidado com os exageros! Tudo o que é demais prejudica. Ninguém deve ser proibido de pular carnaval, mas, quando existem excessos de bebidas, drogas, libertinagem sexual, não existe presença de Deus. Todo cuidado é pouco. É bom saber que é possível se divertir sem pecar!

O cristão autêntico não irá fazer do Carnaval ocasião de bebedeiras ou de exposição sexual desmedida. Seria muito triste se isso acontecesse. O Carnaval é nossa maior festa folclórica, faz parte da vida cultural de nosso país. Então, nesses dias, seja pulando e cantando, seja rezando ou meditando, jamais pensemos em prejudicar a nós mesmos nem ao próximo. Não faça do carnaval uma festa da qual você tenha depois arrependimentos. Faça do Carnaval uma página feliz de seu ano.

Em tempo, há muitos cristãos que aproveitam o Carnaval para fazer algum retiro espiritual, fugindo dos barulhos da festa. Essa também pode ser uma opção para quem prefere o silêncio à algazarra carnavalesca.

.:: O que pode e o que não pode no Carnaval?

Escrito por
Padre Evaldo César Souza, C.Ss.R, diretoria da Fundação Nossa Senhora Aparecida (FNSA) (TV Aparecida)
Pe. Evaldo César de Souza, C.Ss.R. - Jornal Santuário

Jornalista e missionário redentorista

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