Por Mariana Mascarenhas - Jornal Santuário Em Artigos

Eu vim para servir. Eu não vim para ser servido(a)

Já somos mais de 200 milhões de brasileiros espalhados por suas cinco regiões, que juntas se assemelham a um continente, dada a grande diversidade étnica, cultural e social do Brasil. A economia brasileira hoje é a maior da América Latina e a sétima maior do mundo – corre o risco de perder este posto para a Índia. Todavia, o país vem passando por algumas dificuldades, agravadas pela queda na produtividade, alteração cambial e pelo afastamento dos investidores estrangeiros diante das incertezas econômicas apresentadas.

Em meio a este cenário conturbador, a falta de planejamento econômico surge como uma das grandes causadoras da “enfermidade econômica” atual. Mas planejar a economia de um país vai muito além de tomar as devidas providências para garantir uma estabilidade financeira. É preciso conscientizar-se das necessidades que assolam as minorias da sociedade brasileira, incluindo os marginalizados e excluídos sociais.

Não há como negar os avanços e benefícios que o capitalismo, a globalização e as inovações tecnológicas – dos quais sou totalmente defensora – trouxeram para o mundo em termos de crescimento e desenvolvimento econômico, social e político. Mas é preciso reforçar os riscos que o mau uso das novas tecnologias, especialmente, está trazendo quando cria um distanciamento e isolamento dos seus usuários.

Acompanhar todas as novidades que chegam ao mercado tecnológico, hoje, tornou-se tarefa quase impossível diante da infinidade de lançamentos momentâneos. Dessa forma, passamos a viver a cultura do descartável, em que tudo parece perder seu verdadeiro valor, já que pode ser trocado a qualquer instante. Essa desvalorização não se aplica apenas ao material, mas principalmente aos seres humanos. Ocorre uma distorção de valores em que as pessoas são definidas pelo que elas têm e não pelo que elas são.

Sem contar ainda que a preocupação exagerada pelo ter acaba gerando um egoísmo e individualismo que nos impedem de enxergar a realidade daqueles que nos cercam e clamam por ajuda. É a chamada “globalização da indiferença” muito bem abordada pelo Papa Francisco em seu discurso de abertura da Quaresma neste ano.

Mas os cidadãos precisam enxergar o outro a sua frente, pois é através da conscientização e mobilização social que podemos juntar forças para compelir os governantes a promover uma gestão mais integradora e acolhedora que enxergue as verdadeiras carências das minorias. Isso é planejar economia! O que só acontecerá quando muitos de nós deixarmos de ser apenas servidos e passarmos a servir.

“Eu vim para servir” (cf. Mc 10,45): este é o lema da Campanha da Fraternidade de 2015, cujo tema é Fraternidade: Igreja e Sociedade, que neste ano trata da missão evangelizadora da Igreja na sociedade e seu papel de serviço ao povo. Mas o servir não deve ser apenas da Igreja e sim de cada um de nós na construção do desenvolvimento humano integral.

Mariana da Cruz Mascarenhas é jornalista, articulista e crítica de economia e cultura

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Mariana Mascarenhas - Jornal Santuario
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Mariana da Cruz Mascarenhas é jornalista, articulista e crítica de economia e cultura

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