Por Pe. Evaldo César de Souza, C.Ss.R. - Jornal Santuário Em Artigos

Fala-se tanto do Céu, mas, como ele realmente é?

Olá Daniel (Itajubá- MG), tudo bem? Olhe para o céu e o contemple. O firmamento é obra de Deus, azul, nublado, com cores, no nascente e no poente, cada dia diferente... a noite, estrelado, projeta sobre nós sentimentos bons e desejo de desvendá-lo. O céu nos envolve e, ao admirá-lo, sentimo-nos tão pequeno diante do Universo. Ah, claro, esse é o céu físico, não o Céu que acende sua curiosidade! Mas esse céu é de certa forma o símbolo que nos leva a pensar no Céus, no Infinito, nas coisas do Alto. Olha para o céu nos eleva. O contrário é baixar os olhos para os “infernos”, para as realidades que estão escondidas no mundo inferior, embaixo da terra. Mas quando falamos em Céus e Inferno, obviamente não podemos querer localizá-los geograficamente nem acima da cabeça nem abaixo de nossos pés. O Reino dos Céus refere-se a uma dimensão espiritual, teológica, supra-histórica. Na língua inglesa temos inclusive essa distinção linguística: falamos de “sky” para o céu físico, e usamos a palavra “heaven” para o Céu-Eternidade, morada de Deus, dos anjos e santos.

E como será o Céu? Infelizmente não poderei descrevê-lo para você nem para ninguém, afinal essa realidade transcende nossa compreensão empírica. Do Céu não sabemos o “como”, mas somente sabemos que “o quê”. Entendeu? Eu explico: podemos dizer, com toda certeza que recebemos pela vivência da fé em Jesus Cristo e nas suas palavras que “existe um Céu”. Morada de Deus, situação de alegria infinita, onde não há lágrimas nem dor, lugar onde somos levados a viver a contemplação de Deus e de sua bondade, e onde todas as nossas potencialidades serão reveladas. Mas desse Céu não podemos dizer o “como”: descrever o Céu, se lá existem casas, árvores, animais, cores, cheiros, sons, luz... se o céu é um campo verde, ou um acolchoado de nuvens... se lá estaremos vestidos com vestes brancas e tocando harpa... nada disso podemos sequer intuir como verdade, ainda que essas imagens sejam participantes de nossa imaginação.

A teologia costuma dizer que o Céu é um estado de espírito, não um lugar. Afinal, na eternidade de Deus não existem tempo nem espaço, e seria ilógico imaginar o Céu como um lugar onde estão vivendo os que já morreram. O Céu é muito mais um estado de vida, um momento de contemplação absoluta da Verdade, sem os limites impostos pela nossa natureza humana. Certamente o Céu é a presença de Deus sem barreiras, sem máscaras ou maquiagem, e essa presença é amorosa e acalentadora. Penso nas vezes que ficamos em oração diante do Santíssimo Sacramento e já nos elevamos em espírito diante de Deus. O Céu será uma adoração absoluta e um abraço infinito a me envolver e curar e animar e alegrar.

Finalmente, Daniel, mas do que pensar como será o Céu, trate de construí-lo desde já na sua vida. Nossas atitudes, pessoais e comunitárias, já são indicações do Céu em nossa vida. Quando vivemos em paz e construímos a paz ao nosso redor, estamos saboreando o Céu aqui na terra. E isso já é saber como será o Céu Definitivo!

Padre Evaldo César de Souza é diretor de produção/operação da TV Aparecida

Escrito por
Padre Evaldo César Souza, C.Ss.R, diretoria da Fundação Nossa Senhora Aparecida (FNSA) (TV Aparecida)
Pe. Evaldo César de Souza, C.Ss.R. - Jornal Santuário

Redentorista, membro da Província de São Paulo, graduado em Filosofia, Teologia e Jornalismo e pós-graduado em Gestão Executiva de Televisão (FAAP). Escreve para a Editora Santuário e para a editoria 'Santuários'.

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