Por Mariana Mascarenhas - Jornal Santuário Em Artigos

Roberto Bolaños: Foi-se o criador, mas sua obra é eterna!

A sexta-feira do dia 28 de novembro de 2014 pegou muitas crianças, adolescentes, jovens e adultos de surpresa com uma notícia que, apesar de já ser esperada dada a fragilidade física em que ele se encontrava, não deixou de ser um choque: a morte do criador, diretor, roteirista e ator Roberto Gómez Bolaños (1929 – 2014), que se consagrou no mundo todo com a criação dos seriados humorísticos Chaves e Chapolin, que ele mesmo protagonizava.

Entre as inúmeras obras que Bolaños produziu, dirigiu ou nas quais atuou, foram as histórias do menino pobre apelidado de Chavo (Chaves no Brasil) – que se esconde num barril, numa vizinhança cheia de moradores engraçados e atrapalhados ao seu modo – e de um desengonçado herói vestido de capuz vermelho – com duas anteninhas de vinil, e sobre o peito estampado o seu escudo, um coração amarelo com as iniciais CH de Chapolin – que conquistaram e fizeram a alegria de fãs, principalmente da América Latina.

Aqui no Brasil o seriado Chaves estreou no ano de 1984, na emissora SBT, e não demorou muito para virar uma febre entre os brasileiros, de modo que o SBT passou a ser uma ameaça para emissoras concorrentes. Chapolin não ficou atrás, também fazendo grande sucesso. Até hoje o Sistema Brasileiro de Televisão reprisa os episódios de Bolaños, que continuam a fazer sucesso, e alguns atores como Carlos Villagrán (intérprete de Kiko), Edgar Vivar (Seu Barriga) e Maria Antonieta de las Nieves (Chiquinha) costumam reunir um grande número de fãs ao seu redor nas visitas que fazem ao Brasil.

Mas, afinal de contas, qual é a explicação para a manutenção do sucesso de dois seriados que, apesar de terem sido feitos há décadas atrás, resistiram às novas fórmulas do humor, à chegada da internet, à inovação tecnológica constante, sem contar que são reprisados incontáveis vezes? Inúmeras pessoas já se fizeram essa pergunta alguma vez na vida e só assistindo às obras de Bolaños para tentarem chegar a uma resposta.

No entanto, arrisco um palpite para explicar tamanha febre, ao menos aqui no Brasil. Desde a época em que os brasileiros conheceram a genialidade de Bolaños pela primeira vez, até os dias de hoje, são inúmeros os programas televisivos, dos mais variados gêneros, que foram surgindo na TV. Com eles surgiram também maior liberdade para a exploração televisiva da sensualidade, da violência, do álcool e das drogas. Em meio a tudo isto, a apelação ganhou muito destaque e tomou o lugar de algo essencial na formação do ser humano: os valores.

Atualmente as mídias ganharam em quantidade, mas perderam em qualidade, na busca de persuadir um número cada vez maior, principalmente, de crianças e adolescentes que estão em processo de crescimento, a aceitarem o que lhes for imposto. É preciso que valores sejam resgatados e que o ser humano não siga por caminhos tortuosos.

É justamente aí que se encontra a genialidade de Bolaños: a presença dos valores humanos em suas obras. Ele foi um criador que, com muita simplicidade e inocência, arrancou risadas de milhões de pessoas pelo mundo. Além disso, por trás de suas histórias, havia mensagens reflexivas para a situação de pobreza das crianças, para a importância da amizade e união ao próximo.

Tudo isso sem contar o número de pessoas que alguma vez na vida já se identificaram com algum dos personagens, seja aquele que não paga o aluguel (Seu Madruga), ou a senhora fofoqueira (Dona Clotilde), ou o menino rico que não quer dividir seus brinquedos com ninguém (Kiko). No fundo, todos são pessoas diferentes e ao mesmo tempo iguais na humildade e na união, pois sempre acabam se ajudando, formando assim a verdadeira riqueza da humanidade.

E para os que estão tristes alegando que o Chaves morreu, estejam certos que ele não morreu e continuará vivo eternamente para levar alegria e resgatar os valores de união, amor, paz, solidariedade dentro de cada ser humano. Foi-se o criador, mas sua obra é eterna!

Mariana da Cruz Mascarenhas é jornalista, articulista e crítica de economia e cultura

 

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Mariana da Cruz Mascarenhas é jornalista, articulista e crítica de economia e cultura

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