Por Pe. Ulysses da Silva, C.Ss.R. Em Artigos Atualizada em 09 MAR 2018 - 11H08

Igreja e sociedade: Quebrar o círculo da violência


Quando ouvimos falar em violência, sempre nos vêm à mente as notícias da violência no mundo, por meio das guerras e dos atentados terroristas, e da violência urbana, provocada, principalmente, pelo tráfico de drogas, que os meios de comunicação focalizam de forma quase doentia. Diante de tantas imagens de violência, quase não nos damos conta de que nós próprios, muitas vezes, também reagimos, emocionalmente, de forma violenta, desejando e até exigindo que sejam mortos todos esses grupos homicidas.

É lamentável, mas há, em nossa sociedade, um cultivo da violência, que já predispõe tantas pessoas, desde o ambiente familiar, a reagir agressivamente diante das menores contrariedades, como ciúmes e até desentendimentos no trânsito. Desse modo, alimentamos o círculo vicioso da violência e nos posicionamos na contramão da superação da violência, tal como Jesus praticou e ensinou a seus discípulos. Por isso, a Campanha da Fraternidade deste ano nos convoca à uma caminhada de conversão quaresmal, tendo como foco: Fraternidade e superação da violência. O lema: “Em Cristo, somos todos irmãos” (Mt 23,8), nos pede para nós para partirmos da de nossa fé cristã, da de nossa aceitação de Jesus e de o seu Evangelho, para a fim de que a caminhada até a Páscoa seja para cada um de nós um tempo forte de conversão pessoal, familiar e comunitária.

Estamos vivendo em uma sociedade que nos condiciona a ver o outro mais como ameaça do que como irmão. Sentimos medo, e insegurança e temos a impressão de que cada fato de violência está acontecendo ao a nosso lado. O medo também nos tolhe o sentido de solidariedade para acudir a quem está sendo de fato vítima da violência dentro das famílias ou em nossas ruas. E quase nunca paramos para refletir sobre as causas de tanta violência, que talvez ajudamos a perpetuar: as injustiças sociais, os preconceitos, a corrupção política e empresarial, o sistema econômico cruel, a ganância, que explora todos e tudo que possam dar lucro, como drogas, sexo, negócios, meios de comunicação, entretenimentos , etc.

A Campanha da Fraternidade deve ser um tempo de meditação sobre e de conversão das nossas posturas e de meditação diante da violência. Jesus foi radical ao nos propor o caminho da não violência, como ponto de partida para quebrar o círculo da violência: jamais responder à violência com outra violência, nem nas palavras nem nos gestos. Ao invés da velha regra do “olho por olho, dente por dente”, Jesus nos pede: “Não façam resistência ao malvado. Pelo contrário, se alguém lhe dá uma bofetada na face direita, oferece-lhe também a esquerda” (Mt 5,38-39). Ele insiste que seus discípulos trilhem o caminho da paz, do perdão e do amor, até mesmo aos inimigos (Mt 5,43-44).

O mundo nos indica sempre o caminho da vingança, da retaliação, da lei do mais forte, do “não levar desaforo pra casa”, etc. Por isso, para ser cristão é preciso buscar, em Jesus e na em sua Igreja, como que uma vacina contra esse tipo de vírus cultural. A Quaresma nos proporciona entrar num processo de profunda conversão ao Evangelho. Eis a oportunidade que nos oferece a Campanha da Fraternidade: “derramar, em vez de sangue, mais perdão e fermentar na humanidade o amor fraterno”. Quando o Espírito Santo arrancar do osso coração todo resquício de tendência à violência, estaremos prontos para anunciar aos outros o reino de justiça, pleno de paz, de harmonia e unidade, e convidar todos a sonharem um novo céu e uma nova terra, onde todos estarão na roda da feliz fraternidade.

Escrito por
Pe. Ulysses da Silva, C.Ss.R. (Aquivo redentorista)
Pe. Ulysses da Silva, C.Ss.R.

Missionário Redentorista e Reitor do Santuário Nossa Senhora da Conceição, em Recife (PE)

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