Por Roberto Girola Em Artigos

Mania de limpeza

As pessoas dizem que tenho mania de limpeza. Há alguns dias, destratei um funcionário da limpeza por sentir nojo dele e me dei conta de que posso ter algum problema. O que fazer? (José Aparício Nogueira, Barra Mansa – RJ)

A mania de limpeza e outros comportamentos de caráter compulsivo formam um quadro de sintomas que a Psicanálise estuda como formas de neurose obsessiva. Comportamentos repetitivos, rotinas rígidas que não podem ser transgredidas e pequenos gestos ritualizados permeiam o dia a dia do neurótico obsessivo. É o que a Psiquiatria classifica como Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).

No entanto o “nojo” e a reação “agressiva”, aos quais a pergunta se refere, podem também apontar para uma forma de fobia, ou, como alguns psicanalistas preferem, histeria de angústia.

A pergunta deixa transparecer certa “surpresa” diante do fato de ser rotulado como alguém que tem “mania de limpeza” e também com a reação “exagerada” diante de um fato corriqueiro. A surpresa é um claro indício de comportamentos inconscientes, que fogem à percepção de quem os protagoniza. Tudo isso pode apontar para um “problema”, já que afloram comportamentos sobre os quais a pessoa não tem controle e que podem afetar suas relações com os outros em sua vida pessoal e profissional.

Seja qual for a forma como a neurose obsessiva ou a fobia se manifestam, elas sempre trazem limitações e incômodos, para si e para os outros.

Em toda neurose obsessiva há uma necessidade imperiosa de assumir o controle das coisas, fazer com que elas sejam previsíveis, estabelecendo “rotinas” que garantam o controle sobre a situação.

Nas fobias o medo ou o nojo remetem a situações que não podem ser assimiladas no mundo interno e que são transferidas para objetos do mundo externo (principalmente animais ou situações específicas).

No caso da “mania de limpeza”, o inconsciente pode estar lidando com algo que no mundo interno é percebido como “sujo”, “contaminado” e relacionado a sentimentos de culpa e à necessidade de purificação. Na neurose obsessiva, a energia psíquica é desviada dos conteúdos inconscientes para rituais externos, que geram prazer e alívio.

Na fobia, há uma descarga que transforma a angústia em medo ou nojo. O problema reside no caráter compulsivo de tais rituais ou descargas, que se impõem de forma irracional para o sujeito e são por ele impostos aos que o rodeiam como uma necessidade impreterível.

Roberto Girola é psicanalista e terapeuta familiar

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