Por Roberto Girola Em Artigos

Meu marido me traiu

Como sobreviver a uma traição do marido se ainda houver amor? (Anônimo)

Provavelmente alguns leitores estranharão a forma como a pergunta foi formulada, pois, na opinião deles, uma vez que for detectada a traição já não existe a possibilidade do amor existir.

Para responder, gostaria de questionar o termo “traição” que é comumente usado nesses casos, mas que pode estar significando situações bastante diferentes. A intensidade do desejo sexual é subjetiva e acompanha ciclos que estão relacionados a processos psíquicos internos complexos e também a condições externas, ambientais (vida profissional, problemas familiares, situação econômica etc.).

Toda mulher sabe que o seu desejo sexual não é constante, por estar condicionado a fatores diferentes que não dizem apenas respeito ao parceiro. Ciclos hormonais relacionados com o seu período menstrual, com a gravidez, com o período pós-parto ou com o aproximar-se do climatério, podem influenciar o seu desejo. Isso sem contar os fatores externos acima mencionados e, sobretudo, a forma de como ela está percebendo a “potência” do marido (não apenas no âmbito sexual, mas também profissional, financeiro, como pai etc.).  

Por outro lado, o desejo sexual masculino é mais constante e às vezes deve lidar com as dificuldades da parceira de lhe corresponder. Sem contar que, mesmo que ela resolva corresponder para agradá-lo, a percepção de sua falta de desejo pode levar o homem a buscar uma parceira que mostre desejo por ele e a investir nela sexualmente, às vezes até para voltar a recuperar a “potência” que perdeu junto à sua parceira.

Isso não quer dizer necessariamente que ele esteja desistindo dela, com quem permanece vinculado por inúmeras razões, como a última a “história” que os une, da qual podem fazer parte os filhos, os momentos vividos juntos e as conquistas do casal de forma geral.

A experiência clínica vem mostrando que, às vezes, os homens resolvem recorrer aos “serviços sexuais” de profissionais justamente como uma forma paradoxal de “preservar” o seu casamento e a união afetiva com a esposa. Da mesma forma, é muito comum que tanto os homens como as mulheres usem os recursos tecnológicos atuais para buscar no mundo virtual “parceiras” que supostamente queiram apenas ter uma aventura. Esse é “o sonho de consumo” de muitos homens, embora nem sempre seja das parceiras que eles encontram aparentemente dispostas a “ficar” ocasionalmente com eles.

Roberto Girola é psicanalista e terapeuta familiar

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Roberto Girola
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