Por Roberto Girola Em Artigos

O angustiante cardápio de opções da mulher moderna

O cardápio das opções que se apresentam a uma jovem mulher que está se abrindo para o mundo é extremamente variado. Temos as entradas do tipo “corpo malhado”, “alto astral”, “elegância”, “sensualidade”, “prática de esportes”, “conhecimento de idiomas”, “formação acadêmica” e, se o cardápio for mais sofisticado, “viagens ao exterior” e “intercâmbio”.

No corpo do menu encontramos diferentes opções para a vida profissional, dentre elas: “dedicação integral à carreira”, ”pós-graduação”, “visibilidade profissional, mas sem exageros”, “autonomia financeira”, “conciliar trabalho e cuidado dos filhos”, “mulher do lar”.

Na sessão dedicada à realização pessoal, alguns itens estão em destaque: “qualidade de vida”, “vida sexual independente”, “vida social intensa”, “brilhar nas redes”, “casamento”, “ter um pet”, “ter filhos”.

O problema é que alguns itens do cardápio não combinam com outros da seção anterior ou da mesma seção. Por exemplo, “autonomia financeira” pode não combinar com “conciliar trabalho e cuidado dos filhos”. O cardápio de fato não parece sugerir apenas escolhas e sim uma espécie de roteiro da felicidade, tanto mais garantida quantos mais itens puderem ser incorporados no pedido.

Naturalmente um fator importante é quem apresenta o cardápio e a pressão que for feita para escolher uma quantidade significativa de itens, não importa qual for o preço a ser pago no “banquete” da vida. A família, os amigos, o namorado, as redes sociais, a mídia, todos eles podem se disfarçar de garçom e apresentar o cardápio de forma mais ou menos sutil...

Naturalmente, diante da complexidade das escolhas envolvidas, a mulher moderna pode sofrer de uma crescente angústia, causada pela pressão externa, mas sobretudo pela própria pressão interna, quando “acertar” nas escolhas é algo cobrado pelo próprio psiquismo. Tudo isso indica o quanto seja importante que o ambiente afetivo que rodeia a mulher esteja preparado para lidar com suas angústias, sem cobranças e disposto a ajudar para que a própria mulher perceba quais são as escolhas “certas” para o momento que está vivendo, sempre lembrando que a escolha certa é aquela que faz sentido para o sujeito.

Roberto Girola é psicanalista e terapeuta familiar

Escrito por
Roberto Girola
Roberto Girola

Roberto Girola é psicanalista e terapeuta familiar

Seja o primeiro a comentar

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.

0

Boleto

Anterior
Próximo
Reportar erro! Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou
de informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:

Por Carolina Alves, em Artigos

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente.